Israel volta a bombardear Gaza após acusar Hamas de romper cessar-fogo

Ofensiva reacende tensões entre Israel e Hamas; ameaça acordo mediado pelos EUA

Crédito: Fernando Frazão/Agência Brasil

O Exército de Israel lançou novos ataques neste domingo (19) contra a Faixa de Gaza, após acusar o grupo Hamas de violar o cessar-fogo firmado com mediação do presidente americano Donald Trump e aliados. A trégua, que tinha como objetivo avançar em um acordo de paz duradouro, volta a ser ameaçada em meio às trocas de acusações entre as partes.

Segundo comunicado das Forças de Defesa de Israel (FDI), militantes do Hamas teriam lançado um míssil antitanque e aberto fogo contra tropas que atuavam em Rafah, região incluída no acordo de cessar-fogo. “Em resposta, as FDI começaram a atacar a área para eliminar a ameaça e desmantelar túneis e estruturas militares”, afirmou a nota, classificando o ato como “violação flagrante” do pacto.

O primeiro-ministro Binyamin Netanyahu ordenou uma “firme ação contra alvos terroristas” no território palestino. Já o Hamas negou envolvimento no episódio e acusou Israel de romper o acordo “de forma repetida”.

Trocas de acusações e impasse sobre reféns

Reprodução/Twitter

O alto funcionário do Hamas, Izzat al-Risheq, declarou que o grupo “permanece comprometido com o cessar-fogo”, embora acuse Israel de ter cometido 47 violações desde a assinatura do acordo, resultando em 38 mortos e 143 feridos.

Entre os principais pontos de tensão está a devolução dos corpos de reféns israelenses. O governo de Tel Aviv afirma que o Hamas estaria atrasando deliberadamente a entrega dos 16 corpos restantes, enquanto o grupo alega dificuldades logísticas devido aos escombros deixados pelos bombardeios. Até o momento, o Hamas já devolveu 20 reféns vivos e 12 mortos.

Neste domingo, Israel confirmou a identificação de dois corpos entregues no sábado: o israelense Ronen Engel, de 54 anos, sequestrado no kibutz Nir Oz, e o tailandês Sonthaya Oakkharasri, de 30 anos, morto no kibutz Be’eri. Do lado palestino, autoridades de saúde relataram a devolução de mais 15 corpos de Gaza para famílias locais.

Rafah continua fechada e futuro do acordo é incerto

A passagem de Rafah, na fronteira entre Gaza e Egito, continuará fechada “por tempo indeterminado”, segundo declarou Netanyahu no sábado (18). O premiê condicionou a reabertura ao cumprimento integral do cessar-fogo pelo Hamas, contrariando informações da embaixada palestina no Egito, que havia anunciado a reabertura para segunda-feira (20).

Fechada em grande parte desde maio de 2024, a passagem é crucial para a entrada de ajuda humanitária em um território onde mais de 2 milhões de palestinos vivem deslocados. O acordo de cessar-fogo previa o aumento do fluxo de suprimentos e assistência médica para a população.

Enquanto as tensões crescem, permanecem sem solução temas centrais do plano de paz proposto por Trump, como o desarmamento do Hamas, a governança de Gaza no pós-guerra, a criação de uma força internacional de estabilização e os passos rumo à formação de um Estado palestino. O novo ciclo de ataques, porém, coloca em dúvida se tais negociações poderão avançar.

  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 19/10/2025
  • Fonte: Sorria!,