Israel ataca sul do Líbano e deixa 14 mortos após trégua
Mesmo com cessar-fogo prorrogado, ofensiva de israel eleva tensão na região
- Publicado: 26/04/2026 19:53
- Alterado: 26/04/2026 19:53
- Autor: Suzana Rezende
- Fonte: Folhapress
Mesmo após a prorrogação do cessar-fogo entre Israel e o Hezbollah, ataques israelenses no sul do Líbano deixaram ao menos 14 mortos neste domingo (26), segundo o Ministério da Saúde libanês. Entre as vítimas estão duas mulheres e duas crianças, além de 37 pessoas feridas.
A ofensiva ocorreu dias após a extensão da trégua, mediada pelos Estados Unidos, que tinha como objetivo reduzir os confrontos na região até meados de maio.
Evacuação e novas ofensivas ampliam tensão
O Exército israelense emitiu alerta de evacuação para sete localidades no sul do Líbano, incluindo Kfar Tibnit, que também foi alvo de bombardeios aéreos. A Agência Nacional de Notícias libanesa confirmou que aviões de guerra realizaram ataques na região.
Apesar do acordo de cessar-fogo firmado em abril, Israel afirma que mantém o direito de agir contra ameaças consideradas iminentes. Desde o início da trégua, em 17 de abril, as forças israelenses têm realizado operações na chamada “linha amarela”, área próxima à fronteira onde civis foram orientados a não retornar.
Troca de acusações entre Israel e Hezbollah
O governo israelense atribui as ações militares a supostas violações do acordo por parte do Hezbollah. Em comunicado, o porta-voz militar Avichay Adraee declarou que as Forças de Defesa de Israel (FDI) estão tomando “medidas decisivas” diante das ações do grupo.
Já o Hezbollah afirmou ter atacado tropas israelenses dentro do território libanês, além de equipes de resgate. O grupo classificou as ações como resposta às “persistentes violações” da trégua por Israel desde o início do acordo.
Segundo o Hezbollah, a continuidade da presença militar israelense em território libanês representa violação da soberania nacional e será respondida com novas ações de resistência.
Governo israelense reforça discurso de segurança
O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu afirmou que as operações seguem regras acordadas com os Estados Unidos e visam garantir a segurança do país. “O que nos orienta é a segurança de Israel, de nossos soldados e de nossas comunidades”, declarou durante reunião de gabinete em Jerusalém.
Ainda neste domingo, o Exército israelense confirmou a morte de um soldado em combate no sul do Líbano, além de informar que outros militares ficaram gravemente feridos.
Escalada militar inclui drones e novos confrontos
As forças israelenses também relataram a interceptação de três drones que se aproximavam do território israelense, após o acionamento de sirenes no norte do país. O episódio reforça o clima de instabilidade mesmo durante o período de cessar-fogo.
O Hezbollah, por sua vez, declarou que seus ataques contra alvos israelenses tanto no sul do Líbano quanto no norte de Israel são legítimos diante das ações militares contínuas do adversário.
Conflito já deixou milhares de mortos
Apesar da redução relativa das hostilidades com a trégua, o conflito segue ativo. Desde o início da atual fase da guerra, em 2 de março, cerca de 2.500 pessoas morreram em ataques israelenses, segundo balanços divulgados por autoridades locais.
A escalada teve início poucos dias após ofensivas conduzidas por Estados Unidos e Israel contra o Irã, ampliando a tensão em toda a região do Oriente Médio.
Cessar-fogo sob pressão
O acordo de cessar-fogo, válido até meados de maio, enfrenta dificuldades para se sustentar diante das acusações mútuas de descumprimento. Especialistas avaliam que, sem mecanismos mais rígidos de monitoramento, a trégua pode perder efetividade.
Enquanto isso, civis seguem expostos ao risco de novos ataques, especialmente nas áreas próximas à fronteira entre Israel e Líbano, onde a situação permanece instável e imprevisível.