Israel amplia ofensiva e assume controle do castelo de Beaufort

Tomada do castelo de Beaufort no sul do Líbano reforça presença militar israelense na região e eleva a tensão com o Hezbollah, apesar do cessar-fogo anunciado semanas atrás

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As Forças de Defesa de Israel informaram neste domingo (31) que assumiram o controle do castelo de Beaufort, uma fortaleza medieval localizada no sul do Líbano, próxima à fronteira entre os dois países. A operação também incluiu a ocupação do cume rochoso onde o monumento está situado, considerado um dos pontos mais estratégicos da região.

Segundo o Exército israelense, a ação teve como objetivo ampliar o controle sobre a área de Wadi al-Saluki e reduzir a capacidade operacional do Hezbollah, grupo armado apoiado pelo Irã.

Operação ocorre após intensificação dos ataques

A ofensiva foi realizada após uma série de disparos atribuídos ao Hezbollah contra o norte de Israel, em um dos episódios mais intensos desde o cessar-fogo anunciado em abril. Os ataques levaram autoridades israelenses a suspender atividades escolares e impor restrições de segurança em localidades próximas à fronteira.

O primeiro-ministro de Israel, Binyamin Netanyahu, classificou a conquista de Beaufort como uma mudança importante no andamento da campanha militar no Líbano.

O Exército confirmou a morte de um soldado israelense durante a operação. Até o momento, não houve manifestação oficial do governo libanês nem do Hezbollah sobre a tomada do local.

Importância histórica e militar de Beaufort

Além de seu valor histórico, o castelo de Beaufort ocupa uma posição privilegiada para observação de áreas do sul do Líbano e do norte de Israel. Por sua localização elevada, a fortaleza tem relevância estratégica em operações militares e monitoramento de movimentos na fronteira.

Construído no século 12 durante as Cruzadas, o castelo mudou de controle diversas vezes ao longo dos séculos. O local também possui túneis, galerias subterrâneas e estruturas defensivas que reforçaram sua importância em diferentes conflitos.

Israel já ocupou Beaufort entre 1982 e 2000, período marcado pela presença militar israelense no sul do Líbano.

Patrimônio histórico em meio ao conflito

Em 2025, o governo libanês apresentou à Unesco uma candidatura para que o castelo de Beaufort e outras fortalezas históricas da região fossem reconhecidos como Patrimônio Mundial.

A nova ocupação militar ocorre em um momento de preocupação com a preservação de locais históricos situados em áreas afetadas pelos confrontos.

Alertas à população e repercussão internacional

Também neste domingo, o Exército israelense orientou moradores que vivem ao sul do rio Zahrani a deixarem a região diante da expectativa de ampliação das operações militares contra o Hezbollah.

Paralelamente, o Ministério da Saúde do Líbano informou que um ataque israelense nas proximidades do Hospital Hiram, na cidade de Tiro, deixou 13 funcionários feridos e causou danos à estrutura da unidade.

A escalada da ofensiva levou a França a solicitar uma reunião emergencial do Conselho de Segurança da Organização das Nações Unidas (ONU). O ministro das Relações Exteriores francês, Jean-Noël Barrot, afirmou que, embora reconheça o direito de autodefesa de Israel, a ampliação das operações militares em território libanês gera preocupação crescente na comunidade internacional.

  • Publicado: 31/05/2026 12:57
  • Alterado: 31/05/2026 12:57
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress