Irã organiza transição após morte de líder supremo
Presidente Masoud Pezeshkian reaparece, assume junta provisória e promete vingança após ataque que matou Ali Khamenei e cúpula militar iraniana
- Publicado: 19/01/2026
- Alterado: 01/03/2026
- Autor: Redação
- Fonte: motisukipr
O presidente do Irã, Masoud Pezeshkian, reapareceu neste domingo (1º) após o ataque atribuído a Estados Unidos e Israel que matou o líder supremo Ali Khamenei e integrantes da cúpula militar do país. Segundo a mídia estatal iraniana, Pezeshkian classificou a ofensiva como “uma declaração de guerra contra os muçulmanos” e afirmou que a vingança é “um direito legítimo e um dever”.
De acordo com informações divulgadas por veículos oficiais, o presidente passa a integrar uma junta provisória que comandará o país até a escolha de um novo líder supremo. Também fazem parte do grupo o chefe do Judiciário, Gholamhossein Mohseni-Ejei, e um representante do Conselho dos Guardiões.
Conselho dos Guardiões indica representante
O Conselho dos Guardiões, órgão composto por 12 membros com forte influência sobre o sistema político iraniano, indicou o aiatolá Alireza Arafi para compor a junta de transição. O colegiado atuará até que a Assembleia dos Peritos, formada por 88 membros, escolha oficialmente o sucessor de Khamenei.
A agência Fars informou que a liderança interina permanecerá apenas durante o período de transição, até a definição do novo líder supremo. A indicação teria sido atribuída a Mohammad Mokhber, descrito como conselheiro próximo de Khamenei.
Nova chefia na Guarda Revolucionária
A poderosa Guarda Revolucionária também anunciou mudanças após a morte de seu comandante, Mohammad Pakpour, no bombardeio ocorrido em Teerã. O novo chefe é Ahmed Vahidi, que possui mandado de prisão expedido pela Interpol por suspeita de envolvimento no atentado contra uma entidade judaica em Buenos Aires, em 1994, que deixou 85 mortos.
Segundo a mídia estatal iraniana, a cúpula militar foi atingida durante uma reunião presencial convocada para avaliar os ataques recentes. Além de Pakpour, morreram o conselheiro de Defesa Ali Shamkhani, o ministro Aziz Nasirzadeh e o chefe do Estado-Maior, Abdolrahim Mousavi, entre outros oficiais.
Tentativa de desarticulação do regime

Com a morte de Ali Khamenei e de altos comandantes militares, o episódio é interpretado como uma tentativa de desarticular a estrutura de poder da República Islâmica. O governo iraniano, no entanto, busca demonstrar continuidade institucional ao anunciar rapidamente uma liderança provisória e reforçar o discurso de resistência.
Ainda não há definição sobre o cronograma para a escolha do novo líder supremo. O cenário indica aumento das tensões no Oriente Médio, com risco de ampliação do conflito após as declarações de retaliação feitas pelo presidente iraniano.