Ipês florescem na luta contra o câncer e a violência em Mauá

Plantio de mudas de Ipês roxo, amarelo e rosa celebra o Outubro Rosa e reforça o combate à violência contra a mulher

Crédito: Divulgação/PMM

Ipês, símbolos de força e beleza no cenário brasileiro, são agora a mais nova marca de resistência e solidariedade em Mauá. Seis jovens, cuidadores dedicados de uma área que era um antigo lixão, acompanharam com atenção o plantio de três mudas de Ipês — nas cores roxo, amarelo e rosa — no canteiro ao longo do Córrego da Pedreira de Santa Luzia, na Avenida Hermínio Pegoraro. O evento ocorreu na última quinta-feira, 23 de outubro de 2025.

A iniciativa transcende o paisagismo e carrega um profundo significado social: celebrar o Outubro Rosa, mês dedicado à prevenção do câncer de mama, e reforçar a mensagem de combate à violência contra a mulher. A atividade também se integrou ao Programa “A Árvore da Minha Vida”, da Secretaria de Meio Ambiente, que nomeia as mudas em homenagem aos seus plantadores.

🌱 A Força da Comunidade: Ipês Simbolizam Resistência

Plantio de ipês na luta contra o câncer e violência contra a mulher em Mauá - Divulgação/PMM
Plantio de ipês na luta contra o câncer e violência contra a mulher em Mauá – Divulgação/PMM

O plantio foi conduzido pelas secretárias municipais Fernanda Oliveira (Assistência Social) e Cida Maia (Políticas Públicas para Mulheres), e pela moradora indígena Maura Akã mbareté Guaianá-Muiramomi. A participação da comunidade, que se reuniu ao redor das autoridades, reforçou a importância da união em prol da preservação ambiental e das causas sociais.

“Vocês estão de parabéns. A árvore tem uma simbologia muito forte que se assemelha às mulheres, pela força e resistência”, declarou a Secretária Fernanda Oliveira, ligando a beleza e a resistência dos Ipês à coragem necessária para o enfrentamento da saúde. Ela enfatizou que, quando o assunto é câncer, as mulheres não devem temer o exame, o diagnóstico ou o tratamento, estimulando a prevenção.

🌳 De lixão a jardim: A transformação que gera união

A área onde os Ipês foram plantados hoje é um exemplo de transformação liderada pela própria vizinhança. Moradores como Maria de Fátima Pereira Moura relembram os dias em que o local era um ponto de descarte irregular.

“Aqui tudo era terra, um lixão. Começamos tirando lixo do rio, cultivamos e, até hoje, cuidamos daqui”, relata Maria de Fátima, que mora há 27 anos na avenida.

O esforço conjunto de limpeza e cultivo trouxe resultados visíveis, incluindo a colheita e distribuição de impressionantes 10 sacos de abacates por toda a vizinhança. Mais do que isso, a causa ambiental estreitou os laços sociais. Maria de Fátima conta, emocionada, como o projeto de cuidado com o córrego a aproximou de vizinhos que mal conversavam. Após sofrer um atropelamento e cuidar do filho doente, ela recebeu apoio de Maura, seu marido, e de Juliana, também vizinha. O plantio de Ipês celebra essa solidariedade.

♀️ O grito contra a violência: a escolha dos Ipês

Plantio de ipês no combate a luta contra a violência contra a mulher - Divulgação/PMM
Plantio de ipês no combate a luta contra a violência contra a mulher – Divulgação/PMM

A Secretária Cida Maia explicou que o plantio das árvores é uma forma de deixar uma marca permanente na cidade, demonstrando que “a mulher não está sozinha”.

“Queremos plantar as árvores colocar o nome da Secretaria de Políticas Públicas para Mulheres como uma forma de demonstrar que a mulher não está sozinha. Que estamos em todos os cantos da cidade e buscamos combater a violência.”

Ela também traçou um paralelo importante entre o cenário de crise climática e a vulnerabilidade feminina, ressaltando que as mulheres são as mais afetadas por ocorrências como enchentes e deslizamentos, já que são a maioria dos chefes de família. A escolha das cores e a plantação destes Ipês tornam-se, assim, um símbolo visual de presença institucional e de luta por um ambiente mais seguro e justo.

Os jovens cuidadores, incluindo Yuri e Gustavo, ambos de 10 anos, se comprometeram alegremente a cuidar das novas mudas. “A gente não deixa as pessoas arrancarem as flores e nem jogar lixo”, afirma o pequeno Yuri. Gustavo, seu colega, se orgulha do que cultivaram, desde flores até frutas, e da vida selvagem que retornou ao local: borboletas, cobras, sapos, e pássaros. Com a chegada dos Ipês, o futuro da área está garantido pelas mãos de quem mais se importa com a preservação.

  • Publicado: 15/01/2026
  • Alterado: 15/01/2026
  • Autor: 24/10/2025
  • Fonte: Fever