IPCA tem menor nível para novembro em sete anos com 0,18%
Inflação oficial fica abaixo das estimativas de mercado e mantém meta do Banco Central no radar
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 10/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Liberdade
O IPCA (Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo), considerado o termômetro oficial da inflação no Brasil, desacelerou para 0,18% em novembro. Os dados foram divulgados nesta quarta-feira (10) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
No acumulado do ano, o indicador soma uma alta de 3,92%. Já nos últimos 12 meses, a inflação situa-se em 4,46%, um recuo frente aos 4,68% registrados no período anterior. O resultado surpreendeu positivamente, ficando abaixo das projeções do mercado financeiro, que esperava uma variação de 0,20% para o mês e 4,5% para o ano.
Com esse desempenho, o IPCA permanece dentro do teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, que é de 3% com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (teto de 4,5%). Historicamente, este é o menor resultado para um mês de novembro desde 2018, quando houve deflação de -0,21%.
Despesas Pessoais e Habitação lideram altas
Entre os nove grupos de produtos e serviços pesquisados pelo IBGE, cinco apresentaram alta. Os maiores impactos vieram de Despesas Pessoais (0,77%) e Habitação (0,52%), ambos contribuindo com 0,08 ponto percentual cada para o índice geral.
Outros grupos que registraram elevação foram:
- Vestuário (0,49%)
- Transportes (0,22%)
- Educação (0,01%)
No grupo de Despesas Pessoais, o subitem Hospedagem disparou 4,09%. Essa alta foi impulsionada pela realização da COP-30 em Belém, evento climático da ONU que pressionou os preços na capital paraense.
Energia elétrica pressiona o IPCA
Apesar da desaceleração geral, a energia elétrica continua sendo um vetor de pressão inflacionária. A conta de luz subiu 1,27% em novembro, acumulando uma alta expressiva de 15,08% em 2023. A vigência da bandeira tarifária vermelha e reajustes locais foram determinantes para esse cenário.
José Fernando Pereira Gonçalves, gerente de Projetos Especiais do IBGE, explicou que as variações nas tarifas refletiram reajustes aplicados em diversas capitais. Em Goiânia, por exemplo, o aumento chegou a 19,56%, o que colocou a cidade com a maior variação regional do IPCA (0,44%).
Por outro lado, houve alívio no bolso do consumidor em outras frentes. O setor de Transportes viu uma queda nas passagens de ônibus urbano, motivada por gratuidades em dias de eventos como o Enem, chegando a reduções de até 15% em algumas localidades.
Quedas em alimentação e eletrônicos
Alguns setores essenciais ajudaram a segurar o índice. O grupo Artigos de residência teve a maior queda (-1,00%), favorecido por preços menores em eletrodomésticos e eletrônicos. Já o grupo Alimentação e bebidas registrou ligeira retração de -0,01%, com destaque para o barateamento do tomate e do leite longa vida, embora itens como óleo de soja e carnes tenham subido.
Em termos regionais, enquanto Goiânia liderou as altas, Aracaju apresentou a menor variação do IPCA, com deflação de -0,10%, influenciada pela queda nos preços da gasolina e conserto de automóveis.