IPCA-15 desacelera a 0,2% em segunda menor alta histórica
O resultado fica abaixo das projeções do mercado e marca a segunda menor taxa para o mês desde 1994, apesar da pressão nos alimentos.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 27/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A prévia da inflação oficial, medida pelo IPCA-15, desacelerou para 0,20% em janeiro de 2026. Divulgado nesta terça-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o índice recuou em comparação aos 0,25% registrados em dezembro e surpreendeu positivamente analistas econômicos.
Este desempenho representa a segunda menor taxa para meses de janeiro desde a implementação do Plano Real. O resultado atual perde apenas para o recorde histórico de 0,11%, verificado no início de 2025. O número divulgado ficou abaixo da mediana das expectativas do mercado financeiro, que projetava uma alta de 0,22%, conforme levantamento da Bloomberg. Mesmo com a desaceleração mensal, a leitura do IPCA-15 exige cautela na análise de longo prazo.
No acumulado de 12 meses, o indicador apresentou aceleração, subindo de 4,41% para 4,5%. Esse patamar atinge exatamente o teto da meta de inflação perseguida pelo Banco Central, evidenciando o desafio contínuo da autoridade monetária para manter a estabilidade de preços, tarefa monitorada de perto através das variações do IPCA-15.
Impacto do IPCA-15 na decisão do Copom
A divulgação destes dados ocorre em um momento estratégico, antecedendo a primeira reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) de 2026. Com a taxa Selic estacionada em 15% ao ano, o mercado aguarda a decisão que será anunciada na quarta-feira (28). A expectativa majoritária é de manutenção dos juros, com cortes adiados provisoriamente para março.
Especialistas apontam que a aceleração anual do IPCA-15 reflete, em parte, fatores estatísticos. Um exemplo é a base de comparação do ano anterior, que contou com o desconto do bônus de Itaipu nas contas de luz. Leonardo Costa, economista da Asa Consultoria Financeira, avalia que o Banco Central deve manter a postura conservadora.
“Os dados sugerem um panorama mais favorável para a inflação doméstica, mas a incerteza do cenário internacional e a robustez da atividade local pedem cautela”, avalia o mercado.
A política monetária restritiva continua sendo a principal ferramenta para conter a demanda agregada. Embora necessária para controlar o IPCA-15 e o índice cheio, a manutenção da Selic em patamares elevados tende a restringir o consumo e, consequentemente, o crescimento econômico no curto prazo.
Alimentos pressionam enquanto transportes recuam
Ao analisar a composição do índice, nota-se que o grupo de alimentação e bebidas foi o principal vetor de alta. Com maior peso na cesta de consumo, o setor acelerou de 0,13% em dezembro para 0,31% em janeiro. A alimentação no domicílio inverteu a tendência de queda observada nos últimos sete meses, registrando aumento de 0,21%.
Essa pressão sazonal sobre o IPCA-15 é explicada por questões climáticas e aumento da demanda típica de virada de ano. O IBGE destacou disparidades significativas entre os produtos:
- Tomate: Alta de 16,28%.
- Batata-inglesa: Aumento de 12,74%.
- Leite longa vida: Queda de 7,93%.
- Arroz: Recuo de 2,02%.
Enquanto a comida pesou no bolso, outros grupos atuaram como âncoras para impedir uma subida maior do IPCA-15. O setor de habitação recuou 0,26% e o de transportes caiu 0,13%. Vale ressaltar que a Petrobras anunciou uma redução de 5,2% na gasolina vendida às refinarias a partir desta terça-feira, movimento que pode contribuir para manter a inflação controlada nas próximas apurações.
A Kínitro Capital analisa que os números corroboram um cenário otimista, projetando um IPCA em torno de 4,1% para o fechamento do ano. Contudo, para que essa previsão se concretize e permita o início do ciclo de corte de juros, o comportamento futuro do IPCA-15 será a bússola determinante para os agentes econômicos.