IPCA-15 fecha 2025 em 4,41% e cumpre meta de inflação
Prévia da inflação oficial encerra o ano abaixo do teto de 4,5%, trazendo alívio econômico e superando expectativas do mercado.
- Publicado: 01/01/2026
- Alterado: 23/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Motisuki PR
O IPCA-15 confirmou a tendência de controle inflacionário ao encerrar o ano com acumulado de 4,41%. Divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (23), os dados mostram que, apesar da aceleração mensal para 0,25% em dezembro, o índice permaneceu dentro das margens estipuladas pelo Conselho Monetário Nacional (CMN).
O resultado traz um alívio imediato para a equipe econômica. Desde fevereiro, o acumulado de 12 meses flertava com o rompimento do teto da meta, que é de 3% com tolerância de 1,5 ponto percentual (chegando a 4,5%). Diferente do esperado por parte do mercado financeiro, que projetava uma alta de 0,27% segundo a Reuters, a prévia oficial demonstrou maior resiliência.
Transportes e vestuário pressionam o índice
Para compreender a composição do índice neste mês, é preciso olhar para a sazonalidade. Sete dos nove grupos pesquisados subiram, mas Transportes e Vestuário foram os grandes vetores de alta, ambos registrando avanço de 0,69%. O comportamento desses setores impactou diretamente a leitura final do IPCA-15, refletindo a demanda típica de fim de ano.
No setor de transportes, os aumentos foram expressivos em itens específicos:
- Passagens aéreas: Disparada de 12,71%, o maior impacto individual.
- Transporte por aplicativo: Alta de 9%.
- Combustíveis: O etanol subiu 1,70%, enquanto a gasolina teve leve alta de 0,11%.
Por outro lado, houve alívio nos preços de ônibus urbanos (-0,69%), influenciado por gratuidades em capitais como Belém e Brasília, além de redução tarifária em Curitiba.
Impacto da alimentação no cálculo do IPCA-15
O grupo Alimentação e Bebidas, que carrega o maior peso no orçamento das famílias, apresentou variação contida de 0,13%. É fundamental observar a dicotomia revelada pelo IPCA-15: comer em casa ficou mais barato pelo sétimo mês seguido, enquanto os serviços fora do domicílio encareceram.
A alimentação no domicílio recuou 0,08%, puxada por quedas significativas em itens básicos:
- Tomate: -14,53%
- Leite longa vida: -5,37%
- Arroz: -2,37%
Entretanto, quem optou por refeições na rua sentiu o peso no bolso, com alta de 0,65%, impulsionada principalmente pelos lanches (0,99%). As carnes (1,54%) e frutas (1,46%) também subiram, contrabalanceando as quedas nos grãos e vegetais.
Variações regionais e o efeito pós-evento
A análise geográfica aponta disparidades importantes. Porto Alegre liderou as altas com 0,50%, pressionada pelo custo da energia elétrica residencial e passagens aéreas. Na contramão, Belém registrou a única deflação entre as capitais (-0,35%).
Esse fenômeno em Belém ilustra como eventos pontuais afetam o IPCA-15. A capital paraense, que sediou a COP30 em novembro, viveu uma “ressaca” nos preços após o evento, com destaque para o desabamento de 53,72% nas tarifas de hospedagem e queda em itens de higiene pessoal.
O fechamento do ano dentro do limite de 4,5% evita que o Banco Central precise justificar o descumprimento da meta. Embora a aceleração de dezembro exija monitoramento constante, o IPCA-15 encerra 2025 sinalizando uma convergência técnica para a estabilidade monetária, ainda que no limite do teto permitido.