Investimentos no saneamento de SP crescem 120% e somam R$ 15 bi
Aporte histórico da Sabesp pós-privatização acelera obras e reduz em 22% o volume de esgoto não tratado na região metropolitana paulista.
- Publicado: 03/02/2026
- Alterado: 04/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Pocah
São Paulo consolidou em 2025 um novo patamar financeiro para a infraestrutura hídrica estadual. Os investimentos no saneamento atingiram a marca histórica de R$ 15,2 bilhões, montante 120% superior aos R$ 6,9 bilhões aplicados no exercício anterior. A escalada orçamentária ocorre no primeiro ano completo após a desestatização da Sabesp, finalizada em julho de 2024, e visa antecipar a universalização dos serviços para 2029.
A injeção de capital resultou em impactos imediatos na qualidade ambiental. Em pouco mais de 12 meses, o volume de esgoto despejado sem tratamento na Região Metropolitana de São Paulo caiu 22%. O passivo, que encerrou 2023 na casa dos 63 bilhões de litros mensais, foi reduzido significativamente, evitando que o equivalente a 5.500 piscinas olímpicas de detritos chegassem a mananciais estratégicos como as represas Billings e Guarapiranga.
Natália Resende, secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, vincula os aportes ao desenvolvimento regional:
“Os investimentos representam um avanço para garantir o acesso universal à água. Eles fortalecem a proteção dos recursos hídricos, reduzem a poluição e promovem desenvolvimento sustentável em todas as regiões do estado.”
Impacto dos investimentos no saneamento e metas superadas
A operação da concessionária ultrapassou os indicadores estipulados para as 371 cidades atendidas. O ritmo atual conecta, em média, 2.400 domicílios por dia à rede, velocidade superior à registrada em grandes projetos anteriores, como o Novo Rio Pinheiros.
Os dados operacionais de 2025 revelam a superação das metas contratuais:
- Água Potável: 664.161 novos imóveis conectados (152% da meta), atendendo 1,8 milhão de pessoas.
- Coleta de Esgoto: 781.464 conexões realizadas (133% da meta), beneficiando 2,1 milhões de habitantes.
- Tratamento: 1,3 milhão de imóveis integrados ao sistema de tratamento (134% da meta).
A manutenção desse fluxo de obras depende diretamente da continuidade dos investimentos no saneamento. Atualmente, a companhia gerencia 1.100 frentes de trabalho simultâneas, que entregaram no último ano 16 estações de tratamento e 800 quilômetros de tubulações — uma extensão linear comparável a uma fila de 40 mil carretas.

Cenário tarifário e mecanismos de controle
Embora o capital investido tenha mais que dobrado, a estrutura tarifária seguiu regras de contenção. A revisão aplicada foi de 6,11%, índice alinhado à inflação acumulada em 16 meses. Segundo a Agência Reguladora de Serviços Públicos do Estado de São Paulo (Arsesp), o valor de referência permanece 15% abaixo do que seria praticado sob o modelo estatal anterior.
Para evitar que os maciços investimentos no saneamento fossem repassados integralmente ao consumidor no curto prazo, o governo utiliza o Fundo de Apoio à Universalização do Saneamento (Fausp). Alimentado por dividendos da própria Sabesp, o fundo atua como um mecanismo de estabilidade tarifária, garantindo descontos de 10% nas tarifas social e vulnerável.
Reflexos na periferia e saúde pública
A eliminação de travas contratuais para atuação em áreas informais permitiu avanços em regiões de alta vulnerabilidade, como a Cidade Tiradentes, na zona leste da capital. Na comunidade Vaquejada, uma ocupação irregular histórica, 2 mil famílias receberam infraestrutura básica após décadas de precariedade.
Jeferson Cândido Pinheiro, 43 anos, líder comunitário local, relata a mudança prática após 28 anos de improviso com mangueiras e poços:
“O bairro anda feliz, com a rua seca, sem esgoto correndo. Usávamos mangueira, muitas vezes a água não chegava. Hoje posso tomar meu banho e trabalhar livremente no meu comércio.”
Estudos do Instituto Trata Brasil corroboram a percepção dos moradores. A análise indica que o acesso à rede de esgoto reduz em até 69,1% a taxa de internações por doenças de veiculação hídrica após três anos da intervenção. A correlação entre a melhora nos índices de saúde e a execução dos novos investimentos no saneamento confirma que a universalização transcende a obra física, consolidando-se como política essencial de bem-estar social.