Intolerância religiosa no RJ aumentou em 2024
Dados revelam impacto social e econômico das instituições religiosas
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 20/01/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
Dados recentes do Instituto de Segurança Pública (ISP) revelam um alarmante aumento no número de registros de intolerância religiosa no estado do Rio de Janeiro, com 72 ocorrências documentadas entre janeiro e setembro de 2024. Dentre essas, a maioria, contabilizando 39 casos, refere-se ao crime de “Ultraje a culto”, que sozinho já contabilizou 16 incidentes na capital, apresentando um incremento significativo em relação aos 25 registros do ano anterior.
Além disso, as delegacias reportaram um total de 33 casos relacionados à “intolerância religiosa“. A análise demográfica das vítimas mostra que a faixa etária mais afetada compreende indivíduos entre 30 e 59 anos, sendo que 14 deles se identificam como brancos e 13 como pretos ou pardos.
Os dados indicam que os crimes frequentemente ocorrem em residências, com oito ocorrências registradas no município do Rio e cinco em São Gonçalo, ambos localizados na Região Metropolitana. Contudo, especialistas alertam que esses números podem ser subestimados devido à subnotificação, uma vez que muitas vítimas não formalizam suas denúncias nas delegacias.
O governador Cláudio Castro enfatizou a importância da diversidade religiosa e o papel vital dos dados fornecidos pelo ISP para iluminar questões cruciais e informar políticas públicas destinadas a combater a intolerância. “Temos uma unidade especializada dentro da Polícia Civil, a Decradi, que se dedica a investigar esses tipos de crimes”, afirmou.
O ISP também disponibiliza o Painel Discriminação, uma ferramenta interativa que auxilia no monitoramento de crimes motivados por preconceito. Entre janeiro e setembro de 2024, foram registrados um total de 2.783 vítimas de delitos relacionados à discriminação. Dentre estas, 1.738 pessoas relataram ter sofrido “Injúria por preconceito”, representando 62% do total.
Leonardo Vale, vice-presidente do ISP, destacou que os dados refletem problemas sociais profundos e estruturais enfrentados diariamente, como o racismo e a intolerância religiosa. Ele sublinhou que esses crimes afetam desproporcionalmente diferentes grupos sociais.
Paralelamente a essas estatísticas alarmantes sobre intolerância religiosa, uma pesquisa realizada pelo professor Márcio de Jagun, especialista em Ciências da Religião e babalorixá, revelou que as instituições religiosas do Rio de Janeiro geram uma movimentação econômica significativa de R$ 216,6 milhões por ano. Este setor é responsável pela criação de aproximadamente 5.700 empregos diretos, com uma renda média mensal estimada em R$ 2.900.
Bairros como Tijuca, Campo Grande e o Centro se destacam como polos dessas atividades religiosas que impulsionam o comércio local. No entanto, dados do Disque 100 apontam um crescimento alarmante de 80% nos casos de intolerância religiosa em todo o Brasil em 2024, com o estado do Rio concentrando a maior parte desses registros.
Muitas pessoas ainda não percebem a relevância econômica gerada pelos terreiros e outras instituições religiosas para as comunidades locais. Desde serviços contratados até a aquisição de insumos para rituais religiosos, há um impacto financeiro considerável.
O professor Márcio de Jagun reforça que as instituições religiosas atuam como núcleos comunitários fundamentais que oferecem suporte espiritual, social e econômico. “Além disso, muitas dessas organizações promovem iniciativas solidárias para ajudar aqueles em situação vulnerável, contribuindo assim para a inclusão social”, conclui Jagun.