Intervenção na Venezuela abre precedente perigoso, alerta Brasil na ONU
Diplomata brasileiro na ONU condena ação militar dos EUA e afirma que desrespeito à soberania ameaça a estabilidade global e o direito internacional.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 05/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A intervenção na Venezuela realizada pelos Estados Unidos gerou uma resposta contundente e imediata da diplomacia brasileira. Sérgio França Danese, embaixador do Brasil nas Nações Unidas, manifestou profunda preocupação com os eventos de 3 de dezembro, alertando que as implicações dessa manobra ultrapassam as fronteiras latino-americanas e colocam em risco a segurança de toda a comunidade internacional.
Para o representante brasileiro, a operação militar constitui uma violação clara dos princípios da Carta da ONU. Danese enfatizou que normalizar esse tipo de ação pode desencadear um cenário incontrolável de instabilidade, violência e o desmantelamento progressivo do multilateralismo.
Riscos geopolíticos da intervenção na Venezuela
A postura adotada pela administração Trump, segundo a análise brasileira, reflete um enfraquecimento perigoso nos mecanismos de governança global. O embaixador destacou que as normas que regem as relações entre nações não podem ser flexibilizadas para atender a agendas ideológicas ou geopolíticas.
Ao discutir a intervenção na Venezuela, Danese foi categórico ao afirmar que o mundo multipolar do século XXI exige respeito mútuo. A exploração de recursos naturais ou interesses econômicos jamais deve servir de pretexto para o uso da força.
“A exploração de recursos naturais ou interesses econômicos não pode justificar o uso da força ou a alteração ilegal de governos. Não podemos aceitar a justificativa de que os fins justificam os meios.”
O diplomata também traçou um paralelo histórico, alertando para as consequências de ações similares no passado. Sem citar nomes diretamente, ele lembrou que operações militares externas frequentemente resultam em legados trágicos, incluindo:
- Instauração de regimes autoritários;
- Violações sistêmicas dos direitos humanos;
- Milhares de mortos e desaparecimentos forçados.
Soberania e autodeterminação na América do Sul
A proximidade geográfica amplia a gravidade da situação para o Brasil. Danese reiterou que a América do Sul deve permanecer uma zona de paz, rejeitando veementemente a criação de “protetorados” como solução para crises políticas. A posição brasileira defende que a saída para os conflitos deve respeitar a estrutura constitucional local.
Qualquer tentativa de intervenção na Venezuela que ignore a autodeterminação de seu povo fere a soberania regional. O governo brasileiro sustenta que a democracia e a liberdade não são promovidas através da coerção militar externa, mas pelo fortalecimento das instituições internas.
O Brasil encerrou seu posicionamento cobrando responsabilidade do Conselho de Segurança da ONU. É imperativo que o órgão atue para impedir que a força prevaleça sobre a lei, evitando que o cenário de intervenção na Venezuela se consolide como uma nova regra nas relações internacionais.
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