Intenções de voto na Baixada Santista mostra eleitor ainda indeciso
Intenções de voto na Baixada Santista revela liderança de Lula, mas elevado índice de indecisos mantém a disputa aberta em 2026
- Publicado: 26/06/2026 15:12
- Alterado: 26/06/2026 15:12
- Autor: Gabriel de Jesus
- Fonte: ABCdoABC
A pouco mais de três meses do início oficial da campanha eleitoral, as intenções de voto na Baixada Santista ainda demonstra cautela do eleitor na definição do voto para presidente da República. Embora o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) apareça na liderança dos dois principais cenários pesquisados pela Badra Comunicação, o levantamento revela que uma parcela expressiva da população ainda não definiu seu candidato, indicando que a disputa permanece em aberto na região.
Realizada entre os dias 27 de abril e 2 de maio, a pesquisa de intenções de voto entrevistou presencialmente 10.022 eleitores distribuídos pelos nove municípios da Região Metropolitana da Baixada Santista — Santos, São Vicente, Praia Grande, Guarujá, Cubatão, Bertioga, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe. O estudo possui margem de erro de três pontos percentuais e nível de confiança de 95%.
A fotografia eleitoral demonstra dois comportamentos distintos do eleitorado. Quando questionado de forma espontânea, sem acesso a uma lista de candidatos, o entrevistado ainda demonstra dificuldade para apontar um nome. Já no cenário estimulado, quando os possíveis concorrentes são apresentados, a corrida presidencial ganha contornos mais definidos, consolidando Lula e Flávio Bolsonaro como protagonistas da disputa na Baixada Santista.
Intenções de voto espontânea mostra eleitor ainda em fase de definição
O primeiro cenário da pesquisa de intenções de voto buscou medir a lembrança espontânea do eleitor. Nessa modalidade, o entrevistado responde livremente em quem votaria caso a eleição fosse naquele momento.
Mesmo liderando o levantamento, Lula aparece com apenas 14,5% das citações espontâneas. Na sequência surge o senador Flávio Bolsonaro (PL), com 6,7%, seguido pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, citado por 1,4%, embora permaneça inelegível no cenário político atual.
Outros nomes aparecem de maneira residual, como Renan Santos e Ciro Gomes (0,4% cada), Romeu Zema (0,3%) e Ronaldo Caiado (0,2%). Diversos outros possíveis presidenciáveis receberam menos de 0,2% das menções.
Entretanto, o dado mais relevante do levantamento das intenções de voto não está na liderança de Lula, mas no elevado percentual de eleitores que ainda não manifestam preferência consolidada.
Nada menos que 40,8% afirmaram não saber em quem votariam. Outros 29,9% responderam que não votariam em nenhum candidato, enquanto 5,3% disseram optar por voto branco ou nulo. Na prática, mais de sete em cada dez entrevistados ainda não apresentam uma escolha eleitoral consolidada quando não recebem uma lista de candidatos.
O que esse cenário representa
Pesquisas espontâneas de intenções de voto costumam medir o grau de consolidação da imagem dos candidatos junto ao eleitor. Quanto maior o percentual de indecisos, menor tende a ser o nível de cristalização da disputa.
Na Baixada Santista, esse comportamento indica que o processo eleitoral ainda está distante de atingir sua fase de polarização definitiva. Apesar da vantagem inicial de Lula, existe amplo espaço para crescimento dos adversários conforme a campanha avance, sobretudo porque grande parte do eleitorado ainda não verbaliza uma escolha espontânea.
Cenário estimulado consolida Lula e Flávio Bolsonaro
Quando os entrevistados recebem uma relação com os possíveis candidatos à Presidência, a fotografia muda significativamente.
Nesse cenário, Lula alcança 35,5% das intenções de voto, abrindo vantagem de 6,7 pontos percentuais sobre Flávio Bolsonaro, que registra 28,8%. A distância entre ambos permanece superior à margem de erro da pesquisa, configurando liderança estatisticamente consistente. Na terceira posição aparece Ciro Gomes, com 5,3%.
Na sequência surgem Cabo Daciolo (2,4%), Romeu Zema (2,1%), Aldo Rebelo (1,4%), Renan Santos (1,2%), Samara Martins (0,8%), Ronaldo Caiado (0,7%), Augusto Cury (0,6%), Edmilson Costa (0,6%), Rui Pimenta (0,2%) e Hertz Dias (0,1%).
Mesmo com a apresentação da lista de candidatos, 12% dos entrevistados afirmam que não votariam em nenhum deles. Outros 3,9% declaram voto branco ou nulo, enquanto 4,3% permanecem indecisos.
Esse movimento demonstra que parte significativa dos eleitores possui preferência política, mas ainda manifesta resistência às alternativas atualmente colocadas no cenário nacional.
Perfil do eleitor ajuda a explicar o comportamento da região
O levantamento de intenções de voto também traça o perfil dos entrevistados, permitindo compreender quem forma o eleitorado da Baixada Santista.
As mulheres representam 54% da amostra de intenções de voto, enquanto os homens correspondem a 46%. A maior concentração de entrevistados está entre 25 e 44 anos, faixa que reúne 37,3% da amostra, seguida pelos grupos de 45 a 59 anos (25,7%) e 60 anos ou mais (25,3%). Jovens entre 16 e 24 anos representam 11,6%.
Em relação à escolaridade, predomina o ensino médio completo, grupo que reúne 69,6% dos entrevistados. Outros 16,3% possuem ensino superior, 11,2% cursaram apenas o ensino fundamental, 2,1% têm pós-graduação e 0,8% declararam não possuir escolaridade formal.
A renda também evidencia um eleitorado predominantemente de classe média. Mais da metade (53,7%) possui renda familiar entre R$ 3,2 mil e R$ 8 mil. Outros 26,1% recebem até R$ 3,2 mil, 16,9% estão na faixa entre R$ 8 mil e R$ 16 mil e apenas 3,3% ultrapassam esse rendimento mensal.
Baixada Santista pode voltar a ser decisiva
Historicamente, a Baixada Santista ocupa posição estratégica nas eleições paulistas. Com mais de 1,4 milhão de eleitores distribuídos entre nove municípios e forte concentração populacional em Santos, São Vicente, Praia Grande e Guarujá, a região costuma reproduzir tendências observadas no restante do Estado de São Paulo, mas preserva características próprias, especialmente em temas ligados ao porto, turismo, segurança pública, mobilidade e desenvolvimento econômico.
Os números da pesquisa indicam que, apesar da vantagem inicial de Lula no cenário presidencial, a elevada taxa de indecisão demonstra que a corrida ainda está distante de uma definição. A campanha eleitoral, os debates e o desempenho dos candidatos ao longo dos próximos meses deverão exercer papel determinante na consolidação da intenções de voto dos eleitores da Baixada Santista.