Inteligência Artificial e o impacto na gestão de marcas
Pesquisa revela que a Inteligência Artificial amplia a produtividade, mas desafia as marcas a manterem a autenticidade em um mercado saturado
- Publicado: 18/05/2026 15:51
- Alterado: 18/05/2026 15:52
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Assessoria
A Pesquisa Global 2026 sobre Influência de Marca, conduzida pela Public Relations Global Network (PRGN) em parceria com a Researchscape International, traz um alerta importante para o mercado. A gestão da imagem corporativa está se tornando um desafio cada vez mais técnico e estratégico.
Com a participação de mais de 1.800 profissionais de 48 países, o estudo revela que, embora a inteligência artificial tenha facilitado a produção de conteúdo, a construção de uma influência real e sustentável exige muito mais do que algoritmos.
A Dualidade da Inteligência Artificial

A inteligência artificial aparece como o principal motor de transformação. Quase metade dos entrevistados (48%) utiliza a IA para ganhar eficiência e agilidade na resposta a tendências. No entanto, o estudo aponta que essa facilidade pode ser enganosa.
Frédéric François, presidente da PRGN, adverte que conteúdos gerados por IA podem levar a uma “padronização” que dificulta a diferenciação das marcas, afetando a autenticidade e a confiança, pilares que ainda são a base da influência para 60% dos profissionais.
“A inteligência artificial está mudando a forma como as organizações constroem influência de marca, mas também está criando uma falsa sensação de confiança. Quando alguns prompts conseguem gerar conteúdos sofisticados, é fácil assumir que construir influência real se tornou mais simples do que realmente é. Moldar a forma como uma marca é percebida ainda exige coordenação e discernimento, e a IA sozinha não consegue fornecer isso” afirma François.
Canais e Públicos de Impacto
A pesquisa mapeou os caminhos onde a influência da Inteligência Artificial é consolidada hoje. As redes sociais lideram com 80% de impacto, mas a “mídia espontânea” (imprensa) e a “defesa do consumidor” aparecem logo atrás como garantidoras de credibilidade. Entre os públicos, o consumidor final continua sendo o alvo principal (83%), mas houve um crescimento notável na importância do advocacy de colaboradores e da relação com órgãos reguladores.
A Lacuna de Eficiência
Um dos dados mais preocupantes do estudo é o descompasso entre a importância dada ao tema e a qualidade da execução:
- 90% dos líderes consideram a influência vital para o sucesso da empresa.
- Apenas 17% acreditam que a gestão de marca de suas organizações é excelente.
- 41% admitem abertamente que sua abordagem de comunicação precisa melhorar de forma urgente.
O Contexto Brasileiro
Para Rogério Artoni, CEO da Race Comunicação (única agência brasileira na rede PRGN), o cenário exige que as marcas sejam mais intencionais.
“Não basta estar presente em todos os canais; é preciso ter consistência de narrativa e um entendimento profundo dos públicos. Em um ambiente saturado por conteúdos automáticos, a diferenciação virá de quem conseguir gerar confiança e conexão humana real”, destaca o executivo.