50% dos brasileiros desconhece que a Inteligência Artificial consome água
Estudo Ecolab 2025 revela que brasileiros desconhecem o alto impacto hídrico das novas tecnologias.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 26/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A Inteligência Artificial consome um volume significativo de recursos hídricos, um fato ainda desconhecido por grande parte da população, segundo aponta a terceira edição do Ecolab Watermark™ Study. Divulgado pela Ecolab, referência global em soluções de prevenção de infecções e gestão da água, o levantamento revela um paradoxo: apesar da alta consciência ambiental no Brasil, há uma lacuna clara de informação sobre o impacto real dessas novas tecnologias, tornando o manejo hídrico um tema central nas discussões sobre sustentabilidade global.
De acordo com a pesquisa, realizada em março de 2025 em parceria com a Morning Consult, apenas 50% dos brasileiros sabem que ferramentas de IA utilizam água em suas operações. Esse dado expõe a falta de clareza sobre a relação direta entre inovação digital e a preservação de recursos naturais.
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O custo ambiental dos Data Centers
A infraestrutura necessária para manter a Inteligência Artificial operando exige um consumo massivo de energia e água, principalmente para o resfriamento de data centers. O estudo destaca que, entre aqueles que compreendem esse uso, 40% acreditam que essas tecnologias desviam recursos essenciais, contribuindo para a escassez.
Em contrapartida, a percepção sobre o gasto energético é mais aguçada. Mais de 60% dos entrevistados no Brasil estão cientes da demanda de energia necessária para rodar sistemas de Inteligência Artificial. Esse cenário supera a média dos Estados Unidos, onde apenas 46% reconhecem o uso de água e 55% percebem o consumo de energia nessas operações.
Na América Latina, o padrão se mantém: 68% identificam o gasto energético, mas apenas 51% associam a Inteligência Artificial ao uso de água.
A visão dos especialistas
A falta de informação sobre a pegada hídrica digital é um desafio que precisa ser enfrentado. Alfredo de Matos, vice-presidente e gerente geral da Ecolab para o Brasil, ressalta a magnitude desse consumo e a necessidade de transparência.
“Embora uma parte dos brasileiros reconheça o papel vital da água, há a ausência de informações sobre o uso do recurso pela IA. O consumo varia conforme a localização, tamanho da instalação, tecnologias de resfriamento e o mix de energia elétrica usados, mas um centro de dados de um megawatt de potência elétrica pode usar cerca de 25,5 milhões de litros de água por ano apenas para resfriamento, segundo o Fórum Econômico Mundial. O volume é o equivalente a dez piscinas olímpicas”, afirma o executivo.
Mudança de comportamento e consumo consciente
Apesar do desconhecimento específico sobre a Inteligência Artificial, o brasileiro demonstra uma postura ativa em relação à sustentabilidade. O estudo revela que 68% dos consumidores já optam por marcas que priorizam o uso responsável da água e 52% deixaram de comprar itens que demandam muitos recursos hídricos na produção.
Outros dados relevantes sobre a consciência hídrica no país incluem:
- 73% dos consumidores reduziram o uso de água no cotidiano.
- 81% estão dispostos a utilizar água de reuso ou reciclada.
- 80% acreditam que as mudanças climáticas intensificam o estresse hídrico.
A percepção de escassez também é alta: cerca de metade da população acredita que falta água no Brasil. Além disso, 87% dos entrevistados temem incêndios florestais como o principal desastre relacionado à água nos próximos cinco anos.
Responsabilidade compartilhada
A pesquisa indica que a população espera ações conjuntas para mitigar os problemas ambientais causados pelo avanço da Inteligência Artificial e outros setores industriais. A responsabilidade pela preservação é vista de forma distribuída:
- 35% atribuem ao governo o papel principal.
- 25% cobram protagonismo das empresas.
- 21% reconhecem o papel individual.
Os setores percebidos como os maiores consumidores de água são a agricultura (49%) e a indústria de alimentos e manufatura (39%). Para o futuro, a expectativa é que tanto o poder público quanto o setor privado liderem esforços concretos contra as mudanças climáticas, garantindo que o desenvolvimento da Inteligência Artificial ocorra de maneira sustentável.