Integrarte – Dança como forma de inclusão

Inclusão e interação de deficientes visuais e auditivos em São Bernardo em aulas do programa Integrarte, desesenvolvido em parceria com a Associação Santo Inácio

Crédito:

As aulas acontecem às sextas-feiras, entre 15h30 e 17h, na Escola Municipal de Arte e Educação Integrada Professor Paulo Bugni (Rua Dr. Flaquer, 824, Centro).

A Secretaria de Educação da Prefeitura de São Bernardo disponibiliza veículos para os deficientes visuais frequentarem as aulas. Para participar é preciso se inscrever. O interessado pode frequentar o Dança Inclusiva pelo tempo que desejar. Outras informações pelo telefone 4121-4591

“Os deficientes auditivos são os olhos dos deficientes visuais.” A frase de Geisa Maria Minzoni Dias, coordenadora em arte-educação, resume a essência do programa Dança Inclusiva.

Conforme explica Geisa Maria, além da integração entre os alunos, a dança contribui para o equilíbrio e mobilidade dos deficientes visuais. “A dança ajuda na coordenação motora, nos movimentos, no conhecimento do próprio corpo.”

Nos encontros, histórias de vida se misturam e os dramas individuais desaparecem como que num passe de mágica, embalados por ritmos como baião, forró, dança de salão e flamenca.

As aulas são comandadas por professores de dança, que contam com a ajuda de voluntários. É o caso da estudante Beatriz Carella Bueno, 17 anos,. “Vinha como acompanhante (da irmã), mas vou prosseguir como voluntária porque gosto da dança e também porque sei o quanto é difícil para eles (deficientes) não poderem realizar alguns de seus desejos. A gente também se sente feliz quando doa um pouco àqueles que necessitam.”

As aulas reúnem públicos de várias faixas etárias e histórias de superação como a da estudante de psicologia Graziely Stivaletti, 20 anos, que fazia balé e aos 8 anos perdeu a visão após passar por tratamento contra a leucemia. “Também estudei (balé) em outras escolas e voltei para cá porque queria aprender outros ritmos. Estava cansada da mesmice. Tenho paixão pela dança e pretendo me tornar professora de dança”, revela.

O torneiro-mecânico aposentado Lúcio Flávio Parre, 57 anos, que há 17 perdeu a visão por causa do diabetes, se inscreveu no curso para resgatar uma paixão antiga, a dança. Ele também frequenta as aulas desde o início do programa. “Depois que comecei a fazer as aulas meu equilíbrio melhorou uns 70%. Também melhorou minha autoestima. Infelizmente, ainda há muito preconceito com o deficiente e existem poucos lugares como este, em que a gente se sente incluído. Antes entrava em um lugar e ficava travado. Agora me sinto com mais liberdade para tocar a vida”, relatou, ansioso para entrar logo na sala de aula para mais alguns minutos de lazer com os amigos.

Segundo Lúcio Flávio, a dança o deixou menos dependente da família e o ajudou a conhecer outros recursos que facilitam o dia a dia do deficiente visual. “Tenho ido mais ao cinema agora que sei que algumas salas têm audiodescrição. É maravilhoso, porque tem uma voz que descreve o que acontece no filme e a gente imagina as cenas.”

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 24/04/2014
  • Fonte: FERVER