Ministro da Saúde recebe 2,1 milhões de unidades de insulina glargina
Lote de PDP visa produção nacional e autonomia do Brasil na fabricação do medicamento para diabetes.
- Publicado: 03/02/2026
- Alterado: 17/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Michel Teló
O Sistema Único de Saúde (SUS) recebeu um lote inicial de 2,1 milhões de unidades de insulina glargina nesta segunda-feira (17), em Guarulhos (SP). A entrega, recebida pelo ministro da Saúde, Alexandre Padilha, é a primeira realizada através de uma Parceria para o Desenvolvimento Produtivo (PDP).
O objetivo é fortalecer a produção nacional e garantir o tratamento de pessoas com diabetes tipos 1 e 2, reduzindo a dependência do Brasil de mercados externos.
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Transferência de tecnologia e soberania nacional
A iniciativa viabiliza a produção nacional da insulina glargina por meio da transferência de tecnologia. A farmacêutica chinesa Gan&Lee, atual detentora da propriedade, transferirá o conhecimento para o laboratório público Bio-Manguinhos (Fiocruz) e a empresa de biotecnologia brasileira Biomm.
“Um grande dia para o Sistema Único de Saúde e para a soberania do Brasil. Uma grande parceria que traz garantia e segurança para os pacientes que têm diabetes no país. Isso é parte de uma política do governo federal, do presidente Lula, de usar o poder de compra do SUS para aumentar o desenvolvimento industrial brasileiro, a fim de garantir medicamentos gratuitos e assistência farmacêutica à população”, destacou o ministro, Alexandre Padilha.
Até o final deste ano, o Ministério da Saúde deve receber mais 4,7 milhões de unidades. Para 2025, o investimento federal para a aquisição do medicamento soma R$ 131,8 milhões. Esta ação estratégica integra o Complexo Econômico-Industrial da Saúde (CEIS), focado em reduzir a vulnerabilidade do SUS.
Produção inédita do IFA na América Latina
O projeto da PDP vai além do medicamento finalizado e inclui a produção nacional do Ingrediente Farmacêutico Ativo (IFA) da insulina glargina, considerado uma ação inédita na América Latina. O desenvolvimento tecnológico ocorrerá na planta de Bio-Manguinhos, unidade da Fiocruz no Ceará.
“Essa primeira entrega tem um simbolismo muito grande. É a ciência e tecnologia a favor do fortalecimento do SUS e diminuindo a dependência do mercado externo para a produção de medicamentos no país. Com isso, temos mais soberania, geração de emprego e ampliação do acesso ao tratamento para milhões de brasileiros”, disse o presidente da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Mario Moreira.
Com um investimento total de R$ 510 milhões via Novo PAC, o Brasil busca o domínio completo de todas as etapas de produção, garantindo estabilidade no fornecimento.
O papel das PDPs no fortalecimento do SUS

As Parcerias para o Desenvolvimento Produtivo (PDP) são cruciais para ampliar o acesso a medicamentos no SUS. Elas unem instituições públicas e privadas para absorver a tecnologia de produção, incluindo o IFA.
No caso específico da insulina glargina, a transferência de tecnologia foi iniciada após a primeira compra, em outubro. A expectativa é que, ao final do processo, o Brasil tenha capacidade para produzir cerca de 70 milhões de unidades anualmente.
O Ministério da Saúde também mantém PDPs ativas para a produção de insulinas NPH e Regular. O SUS oferece tratamento integral ao diabetes, disponibilizando medicamentos orais e quatro tipos de insulina, incluindo as humanas (NPH e Regular) e as análogas (como a insulina glargina) e as de ação rápida.