Instituto de Pesca explora criação de camarões em áreas distantes do mar
Através da salinização artificial da água, é possível colocar até 300 camarões por metro cúbico; o principal objetivo do projeto é equilibrar a produtividade, sustentabilidade e rentabilidade para os aquicultores
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 25/02/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O Instituto de Pesca (IP-Apta), parte da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo, está desenvolvendo um projeto inovador em colaboração com empresas privadas e com o apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola (Fundag). Intitulado ‘Viabilidade Técnica e Econômica da Produção de Camarão Marinho Longe do Mar‘, o estudo visa estabelecer métodos sustentáveis para a criação de camarões em água salinizada, mesmo em regiões distantes do litoral.
Ao contrário dos métodos tradicionais que dependem de aquários ou caixas d’água, a pesquisa é realizada em uma instalação que replica as condições naturais do cultivo. Essa abordagem permite uma análise mais precisa do potencial produtivo, econômico e ambiental da atividade. O projeto está sendo conduzido em Jaguariúna, no interior paulista, em uma estrutura projetada especificamente para a produção em larga escala de camarões. Em termos de sustentabilidade, todo o sistema é alimentado por água da chuva, evitando o descarte dessa água no meio ambiente.
Para responder à questão central de como criar camarões longe do mar, a pesquisa utiliza um processo de salinização artificial. Isso envolve a adição dos mesmos sais encontrados na água do mar — cloreto, sódio, cálcio, potássio, sulfato e magnésio. Vale ressaltar que a salinidade específica do oceano não é um requisito; o essencial são os sais que compõem essa solução salina. Essa técnica possibilita a criação de camarões em regiões interiores, desde que a qualidade da água seja rigorosamente controlada.
Um dos principais desafios deste projeto reside na alta densidade de estocagem. Enquanto densidades mais baixas, como 10 ou 50 camarões por metro cúbico, podem ser viáveis tecnicamente, elas não garantem a sustentabilidade econômica necessária. Fábio Sussel, pesquisador responsável pelo projeto, utiliza uma densidade de até 300 camarões por metro cúbico. No entanto, aumentar a densidade eleva os desafios relacionados ao cultivo. O objetivo é encontrar um equilíbrio entre produtividade e sustentabilidade para atender às necessidades dos aquicultores.
Entre os benefícios identificados pelo projeto estão a possibilidade de cultivo em áreas distantes das costas, reduzindo assim a pressão sobre os ecossistemas marinhos e ampliando as oportunidades econômicas para pequenos e médios produtores aquícolas. Além disso, o ambiente controlado possibilita um manejo mais eficiente da qualidade da água e da alimentação dos camarões, resultando em um produto final mais saudável e sustentável.
Sussel destaca que o maior desafio está na gestão de patógenos devido à alta densidade das criações. Ele ressalta que essa é uma preocupação comum na carcinicultura mundial: “Precisamos estabelecer protocolos próprios para lidar com as doenças que afetam os camarões e buscar o melhor equilíbrio no sistema”, explica.
O Instituto de Pesca atua como uma instituição dedicada à pesquisa científica e tecnológica vinculada à Agência Paulista de Tecnologia dos Agronegócios (Apta), com a missão de promover soluções inovadoras e sustentáveis para o desenvolvimento da pesca e aquicultura no Brasil.