Insônia

A madrugada transforma pensamentos soltos, memórias e ansiedade em uma batalha silenciosa contra o sono e o próprio cansaço

Crédito: (Imagem/Magnific)

Esta noite dormi mal. Ou melhor, dormi pouco.

Perto das duas da manhã acordei com uma vontade de ir no banheiro, que, quando deitei, se transformou em frio e, ao me cobrir, passei a sentir calor.

A mudança de temperatura acordou o meu cérebro, que até então estava tentando reconectar-se à história interrompida, muito desagradavelmente, para ir ao banheiro.

Pronto. Com o cérebro acordado, o trem do pensamento voltou a funcionar e o sono, por sua vez, foi embora de mala e cuia, meio irritado com a agitação do meu corpo.

Aí começou a luta para trazer o sono de volta. Tentei bloquear aquele carrilhão de ideias chegando. Engraçado como à noite tenho uma tendência a ter pensamentos mais sombrios, preocupações e ansiedade.

Tentei esvaziar a cabeça, em vão. Expulsava um pensamento e chegava outro. Enquanto virava de um lado para outro na minha cama de pregos, cheguei a fazer uma lista de todas as preocupações que estavam provocando aquela minha insônia. Muito coerente, ela, a insônia. Motivos eu tinha para perder o sono. Foi então que levantei e fui ver TV. E tudo começou a melhorar. Considero preferível perder horas de sono vendo um programa de culinária complicadíssima, com pratos que eu nunca vou fazer, mas em paz, do que ficar na cama me consumindo em uma luta para trazer o sono de volta. Ele não costuma obedecer.

Fiz um copo de leite com achocolatado, vi quem foi o eliminado do MasterChef Austrália e deitei. Sem sono, ainda. E, antes que a agonia de começar a revirar na cama de novo começasse, pensei que tinha de escrever sobre isso. E decidi ignorar o fato de que as 6h estavam se aproximando.

“Que se dane! Se for para amanhecer acordada, que assim seja. Não estou nem aí. Sou guerreira e vou aguentar firme o dia todo amanhã.” E mal acabei esse pensamento e não me lembro mais de nada. Acho que dormi.

O sonho foi agitado e emocionante; sonhei com meu pai, que já se foi. Acordei às 6h, amarrotada, e fiz café. Estava firme, mas calada. Cansada.

Procurar o sono entre os pensamentos agitados é como procurar a saída em um labirinto de espelhos. Pode levar horas, dá um certo desespero, sem contar que, mesmo na cama, cansa pra caramba.

Paola Zanei

Paola Zanei - Crônicas
(Divulgação)

Paola Zanei é escritora, poeta e jornalista, formada em Comunicação desde 1994. Com mais de 30 anos de atuação no jornalismo, construiu grande parte de sua trajetória como assessora de imprensa. A escrita, no entanto, sempre esteve presente em sua vida. Desde os 15 anos, dedica-se à produção de poemas e crônicas que exploram o cotidiano, experiências pessoais e as emoções que atravessam sua jornada. É autora do livro Poemas para Queimar Certezas. Apaixonada por música, literatura e cinema, Paola traduz em palavras sua forma sensível de observar e interpretar o mundo.

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  • Publicado: 11/05/2026 18:50
  • Alterado: 12/05/2026 13:02
  • Autor: Paola Zanei
  • Fonte: ABCdoABC

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