Iniciativa da PM aproxima comunidade por meio do Programa Vizinhança Solidária

Sala de Operações que funciona na zona sul de São Paulo auxilia policiais e moradores

Crédito: SSP

Uma iniciativa 27º Batalhão de Polícia Militar Metropolitano (BPM/M), na região de Cidade Dutra, na zona sul de São Paulo tem usado a tecnologia para buscar aproximar a população e melhorar o atendimento às necessidades da comunidade. A implantação da Sala de Operações da PM está facilitando a integração dos policiais com os moradores por meio do Programa Vizinhança Solidária (PVS).

A Sala de Operações oferece uma resposta rápida às ocorrências. De acordo com o coronel Carlos Alexandre Marques, a importância da integração está na redução da distância entre a polícia e a comunidade, proporcionando um atendimento mais eficiente.

“Nosso sistema 190, complementado pela Sala de Operações, tem se mostrado eficaz e crucial para melhorar a resposta da polícia”, afirmou o coronel, que é o responsável pela iniciativa.

Como funciona o acionamento da sala

A Sala de Operações oferece suporte técnico às equipes nas ruas, auxiliando diretamente no atendimento das ocorrências em andamento.

As demandas chegam à sala via Copom. Os agentes entram em contato com os solicitantes para recolher informações ou imagens, que são rapidamente retransmitidos aos policiais em campo.

Os operadores da sala utilizam bancos de dados e ferramentas de tecnologia que possibilitam verificar, em tempo real, informações sobre veículos, pessoas procuradas pela Justiça, entre outras informações relevantes para o atendimento da ocorrência.

Segundo a comandante da Sala de Operações, a sargento Claudeane Siqueira, esse trabalho de inteligência e interação é fundamental para reduzir os índices criminais, preservar vidas e fortalecer a relação entre a Polícia Militar e a comunidade local.

“Daqui conseguimos visualizar o que está acontecendo lá fora, sentir a carência das pessoas e, muitas vezes, salvar vidas, como em casos de tentativas de suicídio”, destacou a sargento.

Abordagem qualitativa e humanizada

A Sala de Operações atua com o Programa Vizinhança Solidária e usa grupos de conversa com diversos segmentos da comunidade, tais como vítimas de violência doméstica, roubos de carga, moradores dos bairros e integrantes da comunidade escolar. Eles são chamados de PVS e permitem que a polícia trabalhe de forma preventiva, resolvendo problemas pontuais e criando uma relação mais próxima com os cidadãos.

A abordagem é qualitativa em vez de quantitativa. Ao contrário dos centros de operações, que lidam com um grande volume de chamadas, a sala permite que a polícia realize ações mais personalizadas. Por exemplo, são feitas visitas solidárias e comunitárias a vítimas de violência doméstica antes e depois do crime ocorrer, oferecendo apoio psicológico e acesso à rede de serviços.

“Vamos ver como está a vítima para orientar e permitir que ela tenha um acesso à rede de apoio e, com isso, a gente consegue dar um atendimento mais próximo, mais humanizado, especialmente às mulheres”, comentou o coronel. 

PVS: Grupos de aproximação comunitária

Além das operações convencionais, a sala é responsável por programas de aproximação comunitária.

Um deles é o PVS roubo de cargas. Ele foi criado exclusivamente pelo 27º BPM/M, que identificou o tópico mais sensível da área e proporcionou uma solução mais atenciosa e específica. No grupo estão representantes de indústrias e fornecedores que atuam na região. 

Por meio de informações compartilhadas, como rastreamento de caminhões roubados e imagens das câmeras internas, a polícia conseguiu prender criminosos e recuperar cargas de forma mais eficiente.

O Anderson Ramalho trabalha para uma empresa de gerenciamento de riscos na prestação de serviços para uma fábrica. Ele é um dos parceiros que integra o PVS e explicou que a interação começou com a necessidade de apoio na área, devido aos casos de roubos de cargas.

“Os motoristas que vinham fazer entrega na região não se sentiam seguros. Agora nós informamos para eles que a gente tem contato com a Sala de Operações e que fazemos um trabalho preventivo junto com a Polícia Militar. Eles agora conseguem se sentir mais seguros e aumentou muito a segurança tanto para os motoristas, quanto para a própria empresa”, afirmou.

Além do PVS Roubo de Cargas, existem outros grupos específicos: o PVS Acolher, voltado a vítimas de violência doméstica e idosos em situação de vulnerabilidade; o PVS Escolar, que integra diretores de escolas públicas e privadas para relatar situações como brigas e ameaças; e o PVS Bairros, formado por moradores cadastrados que compartilham informações sobre atividades suspeitas.

Com um pouco mais de um ano de implementação, a sala também contribuiu na redução dos principais indicadores criminais na zona sul da capital paulista. na baixa dos principais indicadores de crimes patrimoniais. Os roubos de carga diminuíram 63%, com o registro de 38 ocorrências em março deste ano, na comparação anual. Os registros de roubos e furtos em geral também caíram 18% e 25%, respectivamente. 

A Salas de Operações faz parte de uma diretriz institucional e há planos para expandir o modelo para todo o estado, tornando a interação entre a PM e a população mais eficaz e acessível.

  • Publicado: 29/01/2026
  • Alterado: 29/01/2026
  • Autor: 23/05/2025
  • Fonte: FERVER