Inglês na escola não alcança bons resultados entre alunos

Estudo indica que brasileiros não se sentem confiantes com as habilidades de comunicação

Inglês na escola não alcança bons resultados entre alunos

Crédito: Divulgação/Pexels

Com a criação da Lei nº 13.415, sancionada em 2017, o ensino da língua inglesa passou a ser obrigatório nas escolas do Brasil a partir do sexto ano do ensino fundamental até o fim do ensino médio. Entretanto, 54% dos brasileiros sentem que a educação formal não é o suficiente para alcançar proficiência no idioma.

Os dados são de um levantamento da Pearson, empresa multinacional britânica de educação, e revelam que apenas 22% das pessoas no país se sentem confiantes com as suas habilidades de comunicação, ou seja, ler, falar, ouvir e escrever. O percentual é inferior à média geral observada no estudo, de 25%.

Foram entrevistados mais de cinco mil falantes de inglês como segunda língua ou língua adicional, entre 18 e 64 anos, que vivem no Brasil, na Itália, no Japão, na Arábia Saudita e no estado da Flórida, nos Estados Unidos. Entre eles, 85% acreditam que o inglês é uma importante habilidade para o sucesso profissional e 72% consideram que suas carreiras seriam facilitadas com um domínio maior do idioma.

No mundo, há mais de um bilhão e 270 milhões de falantes de inglês, segundo dados do Reino Unido Enciclopédia Britannica. O idioma é usado por mais de um terço da comunicação global e investir no seu aprendizado, seja presencialmente ou através de um curso de inglês online, pode garantir melhores oportunidades. 

De acordo com a Catho, empresa brasileira de classificados de empregos, profissionais fluentes podem ter o salário até 61% maior do que alguém sem esta habilidade. Porém, entre as principais barreiras para melhorar a fluência, apontadas pelos entrevistados da Pearson, estão o custo dos cursos ou materiais, a falta de tempo e as oportunidades limitadas.

Principais desafios para o ensino do idioma

O foco na gramática e no vocabulário, em vez do seu uso em situações do mundo real, são os motivos apontados por 56% dos entrevistados no levantamento da Pearson para que a proficiência no inglês não seja alcançada com a educação formal. Outros 50% destacam como uma questão preocupante a falta de oportunidades para praticar o idioma fora da sala de aula.

Outra pesquisa, realizada pelo British Council, destacou um desafio a mais enfrentado pelos estudantes brasileiros: mais de 70% dos alunos têm aula de inglês com professores sem formação adequada.

Um bom professor demanda mais do que o conhecimento. Mesmo que seja um exímio falante de inglês, é necessário ter uma boa metodologia. Ao lecionar um curso de inglês para crianças com didática, por exemplo, o aprendizado se torna mais fácil se for transmitido de forma lúdica.

Vantagens do domínio do inglês vão além de melhores salários

Cerca de 60% dos participantes do levantamento da Person afirmaram que estudam inglês para ter acesso a posições com melhores salários, mas outras motivações também chamaram a atenção. Entre as pessoas ouvidas, 42% querem aprender a língua para se colocarem a par dos desenvolvimentos mais recentes em tecnologia. 

Somado a isso, 38% contaram que estudam o idioma para serem mais competitivos em face de novas ferramentas e 40% desejam diminuir os impactos da Inteligência Artificial em seus empregos.

Além de motivações profissionais, a compreensão de conteúdos de mídia e entretenimento, a comunicação em viagens e novos horizontes na vida social e nos estudos se destacaram entre as vantagens do conhecimento da língua inglesa.

Os estudantes que dominam o inglês podem desenvolver as habilidades acadêmicas com maior facilidade, visto que compreendem mais materiais e pesquisas. O estudo realizado pela Organização de Estados Ibero-americanos (OEI) e pelo Real Instituto Elcano apontou que 95% dos artigos publicados em revistas científicas, em 2020, foram escritos em inglês. 

A possibilidade de conquistar novas oportunidades profissionais e trabalhar remotamente em empresas internacionais também são possibilidades para aqueles que são fluentes no idioma. Dados da plataforma Husky mostram que o número de brasileiros que trabalham de forma remota em organizações do exterior aumentou 491%, entre 2020 e 2022.

  • Publicado: 01/08/2024 17:50
  • Alterado: 01/08/2024 17:51
  • Autor: Redação
  • Fonte: Assessoria