Informalidade no mercado de trabalho atinge 40 milhões

Com 40 milhões de brasileiros na informalidade, falta de conhecimento sobre FGTS e 13º dificulta o planejamento financeiro e a estabilidade

Crédito: Divulgação/SDE

O mercado de trabalho brasileiro enfrenta um desafio estrutural que vai além da geração de vagas: o desconhecimento sobre garantias básicas. Segundo dados do IBGE, cerca de 40 milhões de brasileiros atuam hoje na informalidade, o que representa mais de um terço da população ocupada. Sem vínculo formal, esses profissionais ficam à margem de mecanismos essenciais de proteção, como o INSS e o FGTS.

Contudo, a desinformação não atinge apenas os que estão na informalidade. Um levantamento da Datatudo indica que 63% dos trabalhadores formais não sabem sequer como consultar o dissídio de sua categoria. Esse cenário compromete diretamente o planejamento financeiro, uma vez que benefícios como o 13º salário e o adicional de férias são fundamentais para a recomposição da renda anual.

O Risco da Comparação Superficial

Informalidade
Reprodução

Um dos erros mais comuns apontados por especialistas é a análise baseada apenas no valor bruto da remuneração, especialmente na migração do modelo CLT para Pessoa Jurídica (PJ).

  • Regime CLT: Oferece estabilidade, previsibilidade de renda e benefícios embutidos (férias, 13º, encargos sociais).
  • Modelo PJ: O profissional recebe um valor mensal maior, mas deve arcar com tributos próprios, previdência e ausência de benefícios. Sem organização, o ganho aparente no curto prazo pode resultar em prejuízo no futuro.

“Muita gente olha apenas para o valor mensal e ignora o restante da conta. No modelo PJ, o profissional precisa arcar com tributos e a própria previdência”, explica Gabriel Barros, diretor da SF Barros Contabilidade.

Educação Financeira como Proteção

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Arquivo/Agência Brasil

Para Barros, a educação financeira é uma ferramenta de defesa. Entender que o 13º salário é calculado sobre 1/12 da remuneração por mês trabalhado e que o terço constitucional de férias serve para compensar o período de descanso é vital para evitar o endividamento e permitir decisões como financiamentos de longo prazo.

A falta de contribuição adequada ao INSS é outro ponto crítico para quem está na informalidade, pois compromete não apenas a aposentadoria, mas o acesso a auxílios em casos de doença ou acidentes. “Saber calcular a remuneração líquida e antecipar custos é uma necessidade para garantir estabilidade na atualidade”, conclui o especialista.

Comparativo: Proteção Financeira e Direitos

BenefícioFunção no PlanejamentoImpacto na Informalidade
13º SalárioRecomposição de renda anual e fomento ao consumo.Ausente; exige reserva própria.
Férias (+1/3)Garante remuneração durante o descanso obrigatório.Período parado significa renda zero.
FGTSReserva de emergência e apoio ao financiamento habitacional.Inexistente.
INSSProteção em casos de invalidez, doença e aposentadoria.Exige pagamento de guia avulsa.
  • Publicado: 02/05/2026 09:07
  • Alterado: 02/05/2026 09:07
  • Autor: Daniela Ferreira
  • Fonte: Assessoria