Inflação sobe 0,33% em janeiro com alta da gasolina
Gasolina pressiona índice que repete taxa de dezembro. Acumulado em 12 meses chega a 4,44%, mas segue abaixo do teto da meta.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 10/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
A inflação do Brasil registrou alta de 0,33% em janeiro deste ano, impulsionada principalmente pelo aumento no preço da gasolina, segundo dados do IBGE. O índice repete o desempenho observado em dezembro e fica ligeiramente acima das expectativas do mercado financeiro.
Analistas consultados pela agência Bloomberg projetavam uma taxa mediana de 0,32% para o primeiro mês de 2026. As estimativas oscilavam entre 0,26% e 0,40%. Embora a conta de luz tenha oferecido um alívio pontual, os combustíveis impediram uma desaceleração mais robusta dos preços no início do ano.
Cenário da inflação oficial em 12 meses
No acumulado de 12 meses, o indicador acelerou para 4,44%, superando os 4,26% registrados até dezembro. Esse movimento técnico ocorre porque a inflação de janeiro de 2025 foi a menor da série histórica para o mês (0,16%).
Naquele período, houve um impacto atípico do bônus de Itaipu, que reduziu as tarifas de energia. Como a base de comparação era muito baixa, o índice atual de 0,33% acabou puxando a média acumulada para cima.
Impacto dos juros na economia
Para conter a escalada de preços, o Banco Central mantém a taxa Selic em 15% ao ano. A estratégia da autoridade monetária é clara: juros elevados encarecem o crédito e desestimulam o consumo imediato de bens e serviços.
Essa retração na demanda tende a controlar a inflação, mas gera efeitos colaterais. A atividade econômica perde ritmo, como já sinalizam os dados recentes do PIB (Produto Interno Bruto).
Metas e projeções do mercado
O Banco Central persegue uma meta contínua de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual (piso de 1,5% e teto de 4,5%). O alvo é considerado descumprido apenas se o índice permanecer fora desse intervalo por seis meses consecutivos.
Fatores que ajudaram a frear o índice no final de 2025:
- Trégua nos preços dos alimentos (supersafra).
- Queda do dólar.
- Manutenção dos juros altos.
O Boletim Focus, divulgado pelo BC, aponta que a inflação deve fechar 2026 em 3,97%. Essa projeção situa o índice dentro do teto da meta de 4,5%. Há quatro semanas, a estimativa do mercado era ligeiramente maior, de 4,05%.
Economistas aguardam o início do ciclo de cortes na Selic a partir da reunião do Copom em março. A expectativa é que a taxa básica de juros encerre o ano em 12,25%, cenário que depende diretamente do comportamento futuro da inflação.