Inflação no Brasil: Expectativas caem e selic mantida em 15% no Boletim Focus do BC

O Copom indicou que manterá a taxa inalterada nas próximas reuniões enquanto monitora os impactos desse ciclo de elevações sobre a economia

Crédito: Marcello Casal Jr./Agência Brasil

A mais recente edição do Boletim Focus, publicada pelo Banco Central (BC) nesta segunda-feira (28), revela uma leve redução na expectativa de inflação para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), que passou de 5,1% para 5,09% para o ano atual. Essa marca representa a nona diminuição consecutiva nas previsões do mercado financeiro, que é baseada nas opiniões de diversas instituições financeiras sobre os principais indicadores econômicos.

Rafa Neddermeyer – Agência Brasil – Banco Central

Para os anos seguintes, as projeções também foram ajustadas: a expectativa para 2026 caiu de 4,45% para 4,44%. As previsões para 2027 e 2028 indicam uma inflação de 4% e 3,8%, respectivamente.

Vale ressaltar que a previsão para 2025 ainda supera o teto da meta de inflação estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional (CMN), que é fixada em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual tanto para cima quanto para baixo. Assim, os limites estabelecidos são entre 1,5% e 4,5%.

Embora tenha enfrentado pressões provenientes do setor elétrico, a inflação oficial brasileira, conforme dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), apresentou um recuo em junho, encerrando o mês com um aumento de apenas 0,24%. Este resultado marcou a primeira diminuição nos preços dos alimentos em nove meses. Apesar dessa desaceleração recente, o índice acumulado nos últimos doze meses permanece elevado em 5,35%, mantendo-se acima do teto da meta por seis meses consecutivos.

Este intervalo prolongado acima do limite configurará um descumprimento da meta sob o novo regime que entrará em vigor em 2024. Em decorrência disso, sempre que essa situação ocorrer, o presidente do BC deverá enviar uma carta aberta ao ministro da Fazenda — presidente do CMN — explicando as razões para tal descumprimento e as medidas que serão adotadas para restaurar a inflação dentro dos limites esperados.

Taxa Selic e Política Monetária

O Banco Central utiliza a taxa Selic como seu principal instrumento para alcançar a meta inflacionária. Atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom), a Selic foi aumentada em 0,25 ponto percentual na última reunião do colegiado. Este foi o sétimo aumento consecutivo em um ciclo voltado à contração da política monetária.

Em suas declarações, o Copom indicou que manterá a taxa inalterada nas próximas reuniões enquanto monitora os impactos desse ciclo de elevações sobre a economia. No entanto, não descartou a possibilidade de novos aumentos caso a inflação comece a subir novamente. A próxima reunião está agendada para os dias 29 e 30 deste mês.

A decisão do Copom surpreendeu alguns analistas financeiros que não esperavam mais um aumento neste momento. No atual cenário econômico, as previsões sugerem que a Selic deve permanecer em 15% ao ano até o final de 2025. Para os anos seguintes, há expectativas de redução para 12,5% ao ano em 2026 e posteriormente para 10,5% ao ano e 10% ao ano em 2027 e 2028.

O aumento na taxa Selic tem como objetivo conter uma demanda excessiva no mercado, impactando diretamente nos preços ao encarecer o crédito e incentivar a poupança. Além disso, os bancos também consideram outros fatores ao definir as taxas de juros cobradas aos consumidores, como risco de inadimplência e custos operacionais. Portanto, taxas mais elevadas podem dificultar o crescimento econômico.

Por outro lado, quando há uma redução na taxa Selic, espera-se que o crédito se torne mais acessível, estimulando tanto a produção quanto o consumo e ajudando a conter a inflação enquanto impulsiona a atividade econômica.

Crescimento Econômico e Câmbio

As instituições financeiras mantiveram suas estimativas para o crescimento da economia brasileira em 2,23% para este ano no Boletim Focus. Para o ano seguinte (2026), a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) foi ajustada levemente de 1,88% para 1,89%. Para os anos de 2027 e 2028, espera-se uma expansão do PIB de 2% em ambos os períodos.

De acordo com dados do IBGE, no primeiro trimestre de 2025, impulsionada pela agropecuária, a economia brasileira cresceu 1,4%. Em comparação com o ano anterior (2024), onde o PIB registrou um aumento significativo de 3,4%, este resultado marca o quarto ano consecutivo de crescimento econômico e representa a maior expansão desde 2021.

A expectativa para o câmbio indica que o dólar deverá ser cotado a R$ 5,60 ao final deste ano e R$ 5,70 ao final de 2026.

Marcello Casal Jr/Agência Brasil
  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 29/07/2025
  • Fonte: Sorria!,