Inflação e desemprego caem no Brasil e sobem nos EUA após tarifaço
Brasil e EUA: Desemprego em queda no Brasil, mas dificuldades crescentes nos EUA; analistas alertam para desafios econômicos em ambos os países.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 10/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Liberdade
O cenário atual do mercado de trabalho revela contrastes significativos entre o Brasil e os Estados Unidos. Recentemente, o Brasil registrou uma taxa de desemprego que se encontra na menor marca desde 2012, alcançando pela primeira vez índices inferiores a 6%. Em contrapartida, os Estados Unidos enfrentam dificuldades na criação de novos postos de trabalho, com números que representam os piores índices desde o início da pandemia. Essa situação resultou até na demissão de Erika McEntarfer, responsável pelo Departamento de Estatísticas do Trabalho, pelo presidente Donald Trump, que alegou manipulação dos dados.
De acordo com Sergio Vale, economista-chefe da MB Associados, o panorama nos Estados Unidos aponta para um processo de desaceleração econômica, que pode levar ao aumento da taxa de desemprego no segundo semestre deste ano. Vale destaca uma deterioração na qualidade da economia americana, evidenciada pela redução dos investimentos em inovação, tecnologia e educação. “Essa situação estrutural é bastante preocupante“, afirma.
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Por outro lado, Rodolfo Margato, economista da XP, prevê que no Brasil a taxa de desemprego deve permanecer em níveis baixos, impulsionada por um crescimento econômico saudável. Ele observa uma mudança no crescimento setorial, onde setores relacionados à renda estão em expansão, enquanto aqueles que dependem do crédito estão desacelerando.
Inflação e desemprego com efeitos distintos
As previsões indicam que a taxa de desemprego no Brasil se estabilizará em torno dos 6%, um dos menores níveis históricos, com a renda média crescendo. No segundo trimestre deste ano, foram geradas cerca de 600 mil vagas por mês no país, em contraste com apenas 35 mil nos Estados Unidos durante o mesmo período.
Margato também aponta que a incerteza relacionada à política tarifária afeta as decisões das empresas em relação aos investimentos e à expansão da produção. A percepção aumentada de risco impacta diretamente o mercado de trabalho. O cenário de juros altos nos Estados Unidos também contribui para essa desaceleração.
A inflação nos EUA está atualmente em torno de 3%, acima da meta estipulada de 2%, enquanto a taxa básica de juros varia entre 4,25% e 4,5% ao ano. Vale destaca que houve uma reavaliação significativa na precificação da economia americana devido à escassez de mão-de-obra. No entanto, a recente revisão para baixo nas taxas de criação de empregos—de 147 mil para apenas 14 mil vagas em junho—é motivo de preocupação.

No Brasil, a situação inflacionária apresenta um quadro diferente. O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) ficou em 5,35% nos últimos doze meses até junho, com projeções indicando uma queda para 5,07% até o final do ano e 4,43% até 2026. Essa diminuição é atribuída em parte à queda na cotação do dólar e à redução nos preços das commodities.
Em contraste, os EUA enfrentam um aumento nas tarifas sobre importações—de uma média de 2,3% em 2024 para cerca de 17% atualmente—o que deve pressionar ainda mais a inflação no país. Guilherme Klein, economista e professor na Universidade de Leeds (Inglaterra), observa que as empresas estão começando a repassar esses custos aos consumidores.
No setor agropecuário americano, os preços da carne atingiram os níveis mais altos em uma década devido a choques na oferta. Já no Brasil, a queda do dólar contribuiu para reduzir os preços internos.
Enquanto isso, as contas públicas brasileiras enfrentam um desafio complexo; embora o quadro fiscal nos EUA já apresentasse sinais de deterioração antes da adoção do pacote fiscal promovido por Trump—que pode resultar em um déficit acumulado de US$ 4,7 trilhões—o cenário brasileiro ainda requer atenção cuidadosa devido ao aumento projetado da dívida pública em relação ao PIB.
Em resumo, apesar do desempenho econômico atual parecer mais favorável ao Brasil em comparação com os EUA, ambos os países enfrentam desafios significativos relacionados à inflação e ao desemprego. Os analistas observam que as taxas se mantêm elevadas: cerca de 4% nos EUA e perto de 6% no Brasil. A inflação também reflete esse quadro: enquanto nos EUA está em torno de 3%, no Brasil é superior a 5%. A situação fiscal brasileira é particularmente delicada diante das limitações estruturais enfrentadas pelo país em relação ao financiamento internacional comparado aos EUA.