Inflação cai para 0,16% em junho com recuo nos alimentos
Puxado pela queda no preço dos alimentos, o IPCA desacelerou para 0,16% em junho e acumula 4,64% em 12 meses, aponta o IBGE
- Publicado: 10/07/2026 13:50
- Alterado: 10/07/2026 13:50
- Autor: Daniela Ferreira
- Fonte: Governo Federal
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, registrou forte desaceleração e fechou o mês de junho em 0,16%. O indicador, divulgado nesta sexta-feira (10 de julho) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), ficou 0,42 ponto percentual abaixo da taxa de maio, que havia alcançado 0,58%.
O resultado também se mostrou inferior ao índice registrado em junho do ano passado (0,24%). Com esse desempenho, o IPCA acumula uma alta de 3,36% no ano e atinge 4,64% no acumulado dos últimos 12 meses, recuando em relação aos 4,72% apurados no período imediatamente anterior.
A Queda nos Alimentos e Alívio no Bolso

O principal motor para a desaceleração da inflação em junho foi o grupo Alimentação e bebidas, que registrou deflação (queda de preços) de -0,24%, após ter disparado 1,33% no mês de maio.
O consumo dentro dos lares ficou mais barato devido a recuos expressivos em itens de peso na mesa dos brasileiros. Por outro lado, produtos tradicionais de época registraram forte pressão de alta:
- Principais Quedas: Café moído (-3,72%), frutas (-1,58%) e carnes (-0,64%);
- Principais Altas: Feijão-carioca (8,31%) e batata-inglesa (3,57%).
A alimentação fora de casa também acompanhou o movimento de calmaria, desacelerando de 0,49% em maio para 0,15% em junho, com os lanches e as refeições comerciais mostrando variações discretas.
Habitação Registra Maior Impacto e Pesa nas Contas

Na contramão dos alimentos, o grupo Habitação exerceu o maior impacto positivo no índice geral do mês (0,10 p.p.), puxado pela energia elétrica residencial, que variou 1,53%. Embora o ritmo de subida da luz tenha desacelerado em comparação a maio (3,67%), o item continuou pressionado pela vigência da bandeira tarifária amarela e por reajustes locais em capitais como Curitiba, Porto Alegre, Belo Horizonte e Rio de Janeiro.
No setor de Transportes (0,17%), as passagens aéreas subiram 7,12%, mas o impacto foi amortecido pela redução generalizada no preço dos combustíveis, liderada pelo etanol (-3,09%) e acompanhada pelo óleo diesel (-1,19%) e pela gasolina (-0,12%).
Cenário Regional: Brasília em Alta, São Paulo em Queda
Geograficamente, o comportamento dos preços divergiu entre as capitais:
- Maior Inflação: Brasília (0,52%), impulsionada pelos bilhetes aéreos e pelo reajuste local da gasolina;
- Deflação em São Paulo e Recife: A Região Metropolitana de São Paulo registrou queda de -0,03% no IPCA, beneficiada pela redução nas tarifas de energia elétrica e recuo no preço do etanol. Recife teve a menor taxa do país (-0,04%), ajudada pela queda de 22,56% no preço do tomate.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), que mede a inflação para famílias de menor renda (1 a 5 salários mínimos), também desacelerou, fechando junho em 0,14% ante os 0,65% registrados em maio.