Projeções de inflação caem, mas riscos permanecem no radar
Mercado reduz estimativas para o IPCA pelo décimo mês seguido, mas analistas alertam que pressões internas e externas ainda podem comprometer a trajetória de queda
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 10/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Sérgio Cardoso
As projeções do mercado financeiro para a inflação brasileira em 2025 vêm apresentando queda constante. De acordo com o boletim Focus, divulgado pelo Banco Central, a mediana das estimativas para o IPCA caiu de 5,5% em maio para 5,07% no início de agosto, marcando dez semanas consecutivas de revisão para baixo.
Apesar da melhora nas expectativas, a inflação projetada continua acima do teto da meta oficial, fixada em 4,5% ao ano. Especialistas afirmam que, embora haja sinais de desaceleração, o cenário ainda não é considerado estável e exige cautela nas análises.
Fatores que impulsionam a desaceleração
Entre os principais elementos que explicam a queda das projeções, estão a valorização do real frente ao dólar, a redução nos preços de bens industriais e a diminuição de valores de produtos agropecuários. A moeda americana acumula baixa de aproximadamente 12% em 2025, influenciando diretamente o custo de importados e insumos industriais.
Além disso, a boa safra agrícola e fatores pontuais, como a gripe aviária e expectativas sobre tarifas norte-americanas, contribuíram para a redução temporária de preços de carnes e outros alimentos. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), medido pela Fundação Getulio Vargas, apresentou queda nos últimos três meses, o que tende a impactar positivamente o consumidor final.
Incertezas internas e externas no horizonte
Apesar do cenário favorável no curto prazo, economistas alertam para possíveis riscos que podem reverter a tendência de queda da inflação. Entre eles, está a possibilidade de aumento nas tarifas de energia elétrica até o fim do ano e mudanças na política comercial dos Estados Unidos. A sobretaxa de 50% imposta pelo governo Donald Trump sobre produtos brasileiros, por exemplo, pode gerar instabilidade cambial.
Outro ponto de atenção é o efeito da guerra comercial, que pode provocar sobreoferta de determinados alimentos no mercado interno, pressionando os preços para baixo, ou desvalorização do real, elevando o IPCA. Segundo analistas, o equilíbrio dependerá de como os mercados e as políticas econômicas irão reagir nos próximos meses.
Meta já foi ultrapassada
Nos 12 meses encerrados em junho, o IPCA acumulou alta de 5,35%, configurando o primeiro estouro da meta contínua de inflação desde que o novo regime foi implantado no início de 2025. Pelo modelo, a meta de 3% é considerada descumprida se o índice permanecer acima de 4,5% ou abaixo de 1,5% por seis meses consecutivos.
O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgará no próximo dia 12 o resultado do IPCA de julho. O dado será acompanhado de perto por analistas e autoridades, que buscam entender se a trajetória de queda se consolidará ou se novos fatores poderão reverter o movimento.