Inflação no Brasil desacelera e tem menor taxa desde 1998
O IPCA registra 0,09% no mês, puxado pela queda na energia elétrica. Acumulado em 12 meses cai para 4,68%.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 11/11/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O Brasil registrou uma forte desaceleração da inflação em outubro. O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial do país, marcou apenas 0,09%, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) nesta terça-feira (11).
O resultado representa uma queda expressiva ante os 0,48% registrados em setembro e é a menor variação para um mês de outubro desde 1998, quando o índice foi de apenas 0,02%.
O dado veio melhor que o esperado pelo mercado financeiro. A mediana das projeções, conforme a agência Bloomberg, apontava para uma alta de 0,15%, com previsões que variavam entre 0,08% e 0,23%.
Com este resultado, a inflação acumulada em 12 meses recuou de 5,17% (até setembro) para 4,68%. Este é o menor índice acumulado desde janeiro deste ano (4,56%). Embora o valor ainda supere o teto da meta de inflação (4,5%) estipulada pelo Banco Central (BC), cresce o otimismo de que o IPCA possa fechar o ano dentro do intervalo de tolerância estabelecido.
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Queda na energia elétrica puxa índice para baixo
O principal fator para o alívio na inflação de outubro foi a conta de luz. As tarifas de energia elétrica caíram 2,39% no mês, gerando um impacto negativo de -0,10 ponto percentual no IPCA. O IBGE calcula que, sem esse item, o índice geral teria subido 0,20%.
Essa redução ocorre após a forte alta de 10,31% em setembro, causada pelo fim de um desconto temporário relacionado à usina de Itaipu. Em outubro, mesmo com a bandeira tarifária vermelha, a sobretaxa foi menor. O grupo Habitação, onde a energia está incluída, teve queda geral de -0,30%.
Outros grupos que também apresentaram desempenho negativo e ajudaram a segurar o índice foram Artigos de residência (-0,34%) e Comunicação (-0,16%).
Alimentos e Bebidas apresentam estabilidade
O grupo de Alimentos e Bebidas ficou estável (0,00%) em outubro. Fernando Gonçalves, gerente da pesquisa do IPCA no IBGE, destacou que safras mais abundantes, como a do arroz, ajudaram a reduzir as pressões sobre os preços nos últimos meses.
O instituto registrou quedas importantes no arroz (-2,49%) e no leite longa vida (-1,88%). Por outro lado, a batata-inglesa (8,56%) e o óleo de soja (4,64%) subiram. Segundo Gonçalves, é possível que o período favorável para os preços dos alimentos tenha chegado ao fim.
Projeções da inflação e o impacto na Selic
O mercado financeiro agora projeta uma média de 4,55% para o IPCA nos próximos 12 meses até 2025. Atualmente, o BC adota um novo modelo de meta contínua (centro de 3%, teto de 4,5%), que é descumprida se a inflação permanecer fora da faixa por seis meses seguidos.
O índice superou a meta contínua em junho. Muitos analistas duvidavam de um retorno ao teto até dezembro, mas o cenário mudou. “Diante das recentes surpresas positivas nos dados da inflação, devemos revisar nossa previsão para o IPCA para este ano“, afirmou Claudia Moreno, economista do C6 Bank.
O Comitê de Política Monetária (Copom) demonstrou confiança de que manter a taxa básica Selic no patamar atual de 15% ao ano pode ser suficiente para guiar a inflação rumo à meta. Rodrigo Marques, da Nest Asset Management, comentou que os dados atuais reforçam um cenário mais otimista para possíveis cortes na Selic no futuro próximo.
Apesar disso, as projeções majoritárias ainda indicam Selic estável até o fim de 2025, com cortes previstos somente para 2026. A taxa elevada encarece o crédito, dificultando o consumo e os investimentos, o que tende a reduzir a demanda e gerar menos pressão sobre os preços. A incerteza agora recai sobre a disputa entre o controle de preços e possíveis estímulos ao PIB de olho nas eleições de 2026.