Inflação na Argentina chega a 31,4% em 12 meses
A Argentina enfrenta crise política e desvalorização do peso, enquanto o Governo busca acordos com o FMI e os EUA
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 11/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A economia da Argentina registrou uma inesperada aceleração da inflação anual em novembro, marcando a primeira alta desde abril de 2024 e reacendendo preocupações sobre a eficácia do plano de ajuste fiscal do governo de Javier Milei. De acordo com o Índice de Preços ao Consumidor (IPC) divulgado pelo Instituto Nacional de Estatísticas e Censos (Indec), a inflação mensal atingiu 2,5%, superando as projeções dos analistas de mercado que esperavam um índice inferior.
Este resultado confirma a continuidade da tendência de alta, já que o IPC havia fechado outubro em 2,3%. O acumulado da inflação nos últimos 12 meses até novembro chegou a 31,4%, uma ligeira elevação em relação aos 31,3% registrados no mês anterior. Tais números ilustram o clima de instabilidade persistente que domina o cenário econômico da Argentina.
As pressões do ajuste e a escalada dos preços na Argentina
A aceleração da inflação mensal foi puxada, principalmente, por setores essenciais, refletindo o impacto das reformas econômicas em curso. O maior crescimento foi observado nos seguintes segmentos:
- Habitação, água, eletricidade, gás e combustíveis: Alta de 3,4%;
- Transporte: Aumento de 3%;
- Alimentos e bebidas não alcoólicas: Crescimento de 2,8%;
- Comunicação: Subida de 2,7%;
- Bens e serviços diversos: Fechou com 2,5%.
Essas altas refletem o impacto direto das políticas econômicas adotadas pelo governo do presidente Javier Milei, que completou um ano à frente da gestão. Em um cenário de recessão, o governo implementou um rigoroso ajuste fiscal que incluiu a interrupção de diversas obras federais e a suspensão de repasses financeiros para os estados desde dezembro de 2023. A retirada de subsídios sobre tarifas essenciais, em particular, resultou em aumentos consideráveis nos preços ao consumidor.
Apesar da crise inflacionária, o governo divulgou dados de que a pobreza, que afetava 52,9% da população no primeiro semestre de 2024, teria apresentado uma queda drástica para 31% no primeiro semestre de 2025.
Crise política e o impacto no peso argentino
A turbulência econômica é agravada por uma severa crise política. Uma investigação judicial foi aberta após acusações de corrupção contra Karina Milei, irmã do presidente e secretária-geral da Presidência, com o vazamento de um áudio comprometedor para a mídia.
A situação política se deteriorou ainda mais com a derrota significativa de Javier Milei nas eleições da província de Buenos Aires em setembro. Este revés teve consequências imediatas nos mercados financeiros. O clima de incerteza gerou queda nos títulos públicos e nas ações das empresas argentinas. Como resultado direto da instabilidade, o peso atingiu um recorde histórico de desvalorização em relação ao dólar, caindo mais de 27% ao longo do ano.
Busca por estabilidade: Apoio internacional para a Argentina
Diante desse cenário desafiador, o governo de Javier Milei tem buscado ativamente apoio internacional para tentar estabilizar a economia da Argentina e restaurar a confiança dos investidores.
A administração Trump anunciou um acordo financeiro crucial que inclui um swap cambial de US$ 20 bilhões e outras garantias financeiras que totalizam US$ 40 bilhões. Tais medidas têm como principal objetivo aumentar as reservas em dólares do país e injetar confiança no sistema.
Além disso, a Argentina firmou um acordo anterior com o Fundo Monetário Internacional (FMI) no valor de US$ 20 bilhões em abril passado, com um desembolso inicial rapidamente disponibilizado como sinal de apoio ao programa econômico.
O objetivo estratégico do governo é ambicioso: controlar a inflação mensalmente abaixo da marca de 2% para, posteriormente, eliminar os rígidos controles sobre capitais que dificultam investimentos. Medidas recentes para flexibilizar o uso de dólares guardados fora do sistema financeiro e reduzir os controles cambiais foram anunciadas na esperança de atrair capital.
No entanto, com a intensificação das intervenções no mercado cambial, as autoridades continuam a enfrentar o desafio de equilibrar a estabilidade da inflação com o rigoroso ajuste econômico necessário para a recuperação.