Indústria perde jovens e acende alerta no ABC
Mudança nas expectativas da nova geração e transformação do mercado de trabalho colocam em debate o futuro da renovação industrial na região
- Publicado: 03/02/2026
- Alterado: 11/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Michel Teló
Há alguns anos, venho percebendo uma mudança silenciosa — mas profunda — no mercado de trabalho. Falo especialmente da dificuldade crescente em encontrar mão de obra jovem disposta a atuar no chamado “chão de fábrica”. E não se trata de falta de vagas. O que falta, de fato, é gente interessada em ocupar essas posições essenciais para o funcionamento de qualquer indústria.
Mudança de expectativas na indústria e no trabalho
No ABC, onde cresci profissionalmente e onde o setor industrial sempre foi parte da identidade da região, essa mudança é ainda mais visível. Aquela tradição de famílias inteiras que trabalhavam nas fábricas, passando o ofício de geração para geração, vem se desfazendo. O jovem de hoje não se enxerga mais ali. Quer trabalhar com tecnologia, quer horário flexível, quer home office, quer subir rápido, quer propósito — e não há nada de errado em desejar isso. O problema é que a indústria continua existindo. As máquinas continuam rodando. A economia continua dependendo dessa base produtiva.

É comum ouvirmos que “a juventude não quer mais pegar no pesado”. Mas não é isso. Mudaram as expectativas, mudaram as referências, mudou a relação com o trabalho. Enquanto isso, nós, empresários, seguimos enfrentando o mesmo desafio diário de produzir, entregar, cumprir prazos — e fazer tudo isso com equipes cada vez mais enxutas e com dificuldade de renovação.
Vejo empresas investindo em programas de aprendizagem, cursos internos, parcerias com escolas técnicas, tentando mostrar aos jovens que a indústria oferece oportunidades reais de crescimento, estabilidade e desenvolvimento profissional. Mas ainda assim, a adesão é baixa. Muitos sequer querem conhecer o ambiente fabril. Existe uma resistência inicial, como se trabalhar na indústria fosse sinônimo de atraso — uma visão que prejudica tanto as empresas quanto aqueles que poderiam construir uma carreira sólida nesse setor.
Automação, aposentadorias e o risco de vazio técnico
Me preocupo com o futuro. Porque, mesmo com a automação avançando, alguém precisa entender o processo, interpretar dados, supervisionar sistemas e garantir que tudo funcione. A pergunta deixa de ser apenas “quem vai operar a máquina?”, e passa a ser quem vai assumir essas novas funções técnicas que exigem formação, disciplina e responsabilidade — justamente no momento em que a geração experiente está se aposentando?

Já entendi, com o tempo, que não adianta reclamar dos jovens. O caminho é aproximá-los. Mostrar a eles que a indústria mudou, que hoje é tecnológica, automatizada, cheia de oportunidades para quem quer aprender. Precisamos abrir as portas, investir em formação e, principalmente, reconstruir a imagem da indústria como um ambiente de futuro — não de passado.
O desafio é grande. Mas nós, empresários, nunca fomos de fugir de desafios. Continuamos insistindo, treinando, acreditando e abrindo espaço para quem quiser construir uma trajetória honesta, sólida e com propósito. Porque, no fim das contas, o Brasil só cresce quando existe gente disposta a fazer — e a aprender fazendo.
Marcel Batistella Mazurkyewistz

Marcel Batistella Mazurkyewistz– Há 21 anos no mercado, a Mazurky é uma empresa especializada em soluções em papelão ondulado, como caixas de papelão, displays, PDVs (pontos de venda) e projetos especiais. Localizada em Mauá, ao lado do Rodoanel, na região do ABC Paulista, a organização investe em tecnologia de ponta, com equipamentos de última geração e alta capacidade para a produção de embalagens em todos os tamanhos e formatos, podendo ser produzidas desde o Kraft pesado ao papelão reciclado.