Indústria do Grande ABC freia mas supera média histórica
O setor fabril regional perdeu fôlego em 2025 devido aos juros altos, porém mantém o nível de produção acima dos padrões recentes.
- Publicado: 19/01/2026
- Alterado: 02/03/2026
- Autor: Redação
- Fonte: motisukipr
A Indústria do Grande ABC encerrou o ano de 2025 operando em um ritmo contido, embora sua atividade permaneça superior à média histórica recente. Esse diagnóstico integra a Sondagem Industrial, estudo liderado pela CNI e pela Fiesp, com apoio da Strong Business School. Os dados expõem uma desaceleração produtiva clara e uma queda expressiva no índice de confiança dos empresários locais. Todo esse cenário ganha forma em meio a um ambiente de juros elevados e fortes incertezas econômicas.
Como a Indústria do Grande ABC sustenta sua capacidade
Apesar da perda de tração confirmada no acumulado do ano, o desempenho fabril evitou uma retração aguda. O nível de utilização da capacidade instalada marcou 74,4%. Esse patamar supera a média consolidada entre os anos de 2022 e 2025.
O mercado de trabalho, contudo, sentiu o golpe da estagnação. Informações oficiais do Caged revelam que o setor encerrou o período com um déficit de 124 empregos formais. Isso marca um forte contraste com os resultados de expansão vistos ao longo de 2024.
“Mesmo operando acima da média histórica, observado nos anos recentes, a indústria regional enfrenta um cenário desafiador, com crescimento econômico modesto, juros reais elevados e incertezas que impactam diretamente as decisões de produção e investimento.”
A avaliação do professor Sandro Maskio traduz o sentimento predominante na Indústria do Grande ABC. As restrições financeiras se tornaram obstáculos diários, esmagando as margens de lucro e dificultando a captação de crédito sustentável para as companhias.

Desafios atuais para a Indústria do Grande ABC crescer
O Índice de Confiança do Empresário Industrial (ICEI) regional sofreu quedas sucessivas, reflexo da piora imediata nas expectativas futuras. Houve uma leve estabilização em dezembro, mas o pessimismo geral travou a disposição de alocar novos recursos.
O contexto político e a política monetária restritiva forçam uma postura defensiva das gestões. Sem previsibilidade, os planos de expansão acabam engavetados. Os líderes do setor listam os principais gargalos estruturais que paralisam a produção:
- Taxas de juros elevadas, encarecendo drasticamente o capital de giro.
- Demanda interna enfraquecida somada a uma carga tributária punitiva.
- Escassez de mão de obra qualificada, problema acentuado pela baixa taxa de desemprego geral e pela transição demográfica.
Mesmo diante da conjuntura macroeconômica adversa, existe uma janela de viabilidade para os próximos meses. Uma eventual flexibilização monetária e o aquecimento no comércio exterior podem impulsionar as exportações ao longo de 2026. Contudo, os especialistas reforçam que a recuperação da Indústria do Grande ABC ocorrerá de forma lenta, exigindo atenção contínua e políticas públicas focadas no destravamento do setor produtivo.