Indústria de tecnologia ganha projeto após seminário

Em evento na Alesp, debate sobre interoperabilidade resulta em PL, memorando e o reconhecimento da relevância da Indústria de Tecnologia para o futuro do SUS

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A Indústria de Tecnologia para a Saúde deu um passo decisivo em direção à transformação digital do Sistema Único de Saúde (SUS) nos municípios paulistas. O seminário “O Papel da Indústria de Tecnologia para Saúde na Transformação Digital dos Municípios Paulistas”, realizado na Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo (Alesp) em 24 de novembro, gerou quatro encaminhamentos concretos que prometem modernizar a gestão e o atendimento na saúde pública estadual.

Coordenado pelo deputado estadual Luiz Claudio Marcolino (PT-SP), por meio da Frente Parlamentar pelo Desenvolvimento da Ciência, Tecnologia, Inovação e sua Integração com o Mercado de Trabalho, o evento reuniu atores-chave dos governos federal e estadual, academia, Indústria de Tecnologia e especialistas. O eixo central do debate foi a interoperabilidade – a capacidade de diferentes sistemas de informação dialogarem entre si – como estratégia fundamental para ampliar a eficiência do atendimento.

O encontro culminou na apresentação de uma Proposta de Projeto de Lei para instituir o Dia Paulista da Indústria de Tecnologia para a Saúde e na assinatura de um Memorando de Entendimento (MoU) entre a Associação Brasileira da Indústria de Alta Tecnologia de Produtos para Saúde (ABIMED) e a Inova USP. Além disso, foram destacados o avanço da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS) e os investimentos robustos do Governo do Estado na digitalização do setor.

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Tecnologia como aliada: O Novo Rumo do SUS em São Paulo

O deputado Marcolino foi enfático ao ressaltar o papel da tecnologia como ferramenta decisiva para superar gargalos históricos do SUS, como filas, a morosidade no atendimento e a disparidade no acesso a especialistas. “A tecnologia pode ser uma grande aliada da decisão médica. A inteligência artificial pode salvar vidas, tornar a atenção básica mais preventiva e menos reativa e reduzir a sobrecarga dos hospitais”, afirmou o parlamentar. Ele destacou que a modernização deve ser feita sem abrir mão da universalidade, um princípio fundamental estabelecido pela Constituição de 1988.

O debate técnico apontou que soluções inovadoras como a inteligência artificial, a telessaúde e a interoperabilidade dos sistemas de informação permitem um acompanhamento contínuo do paciente. Isso, por sua vez, leva à redução de internações desnecessárias, diminuição da taxa de erros médicos e uma gestão mais eficiente dos recursos públicos, aproximando o SUS de modelos internacionais considerados mais eficientes e centrados no paciente.

A força da Indústria de Tecnologia e o Marco Regulatório

Um dos pontos altos do seminário foi a formalização do reconhecimento da relevância econômica e social da Indústria de Tecnologia para a saúde no cenário paulista. O presidente da ABIMED, Fernando Silveira, entregou ao deputado a proposta de projeto de lei para a instituição do Dia Paulista do setor. A justificativa é clara: o segmento reúne mais de 12 mil empresas no Brasil, emprega cerca de 270 mil pessoas e, notavelmente, concentra aproximadamente 70% de suas atividades no Estado de São Paulo.

Esse reconhecimento legislativo visa posicionar a Indústria de Tecnologia como uma agenda estratégica de Estado, permitindo a criação de políticas públicas de longo prazo que estimulem a inovação e o investimento no setor.

RNDS e o esforço integrado de União e Estado

Os avanços federais no campo da saúde digital foram detalhados pela secretária de Informação e Saúde Digital do Ministério da Saúde, Ana Estela Haddad. Ela apresentou dados sobre a consolidação da Rede Nacional de Dados em Saúde (RNDS), que já armazena um volume massivo de mais de 3,1 bilhões de registros, além da expansão das plataformas Meu SUS Digital, SUS Digital Profissional e SUS Digital Gestor. Segundo a secretária, a telessaúde é uma realidade em 44% dos municípios brasileiros, gerando um impacto direto na ampliação do acesso à saúde e na redução de custos operacionais.

No âmbito estadual, o secretário de Desenvolvimento Econômico, Jorge Lima, destacou o foco do Governo de São Paulo em investimentos em importantes polos de saúde, citando Campinas, Ribeirão Preto, Barretos e Sertãozinho. No entanto, ele enfatizou a necessidade urgente de expansão da conectividade nos pequenos municípios. A universalização da internet de qualidade é vista como a condição sine qua non para a consolidação da transformação digital na saúde.

Representantes da Secretaria de Estado da Saúde e da área de ciência e tecnologia apresentaram dados adicionais, reforçando que os investimentos estaduais em digitalização e ampliação de atendimentos remotos já superam a marca de R$ 166 milhões.

Ao final do evento, o deputado Marcolino celebrou os resultados, afirmando que o seminário se traduziu em um avanço concreto na articulação entre poder público, o setor produtivo e a academia. “Nosso papel é criar esses espaços de interlocução e transformar debate em ação concreta. O compromisso é garantir que a inovação chegue a toda a população, fortalecendo o SUS, reduzindo desigualdades e assegurando que a tecnologia esteja a serviço das pessoas”, concluiu, reforçando o foco da Indústria de Tecnologia na melhoria da qualidade de vida dos paulistas.

  • Publicado: 13/01/2026
  • Alterado: 13/01/2026
  • Autor: 24/11/2025
  • Fonte: TUCA