Incêndios florestais avançam na Europa antes de calor extremo

Incêndios avançam na Europa, deixam áreas devastadas e colocam autoridades em alerta antes de nova onda de calor

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Bombeiros da França e da Espanha trabalham contra o relógio nesta terça-feira (28) para controlar os incêndios florestais que obrigaram dezenas de milhares de pessoas a deixarem suas casas. As equipes aproveitam uma breve melhora nas condições climáticas antes da chegada de uma nova onda de calor, prevista para começar nesta quarta-feira (29).

Depois de dias de preocupação, autoridades dos dois países demonstraram algum otimismo nas últimas horas, mas alertam que o cenário ainda exige atenção. Juntas, França e Espanha contabilizam mais de 120 mil hectares atingidos pelo fogo, além de centenas de imóveis destruídos e milhares de moradores e turistas retirados das áreas afetadas.

Na França, os bombeiros conseguiram conter durante a madrugada a ocorrência que atingiu a região de Bordeaux e devastou aproximadamente 42 mil hectares de vegetação.

Já na Espanha, moradores de nove das 11 cidades da província central de Toledo receberam autorização para retornar às suas residências. Apesar do avanço, ainda existem áreas com focos ativos próximos a Madri e nas províncias de Ávila, Toledo e Castellón.

França e Espanha monitoram avanço dos incêndios em meio ao calor extremo

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O ministro do Interior espanhol, Fernando Grande-Marlaska, afirmou nesta terça-feira que o momento é decisivo para reduzir os impactos antes da nova elevação das temperaturas.

“Hoje podemos ficar um pouco mais tranquilos, mas estamos em horas críticas. Falamos de um momento fundamental em que é necessário trabalhar para antecipar a chegada de uma nova onda de calor”, declarou.

O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, disse que o país começa a enxergar uma melhora no cenário, mas destacou que ainda existem desafios importantes pela frente.

Na França, o presidente Emmanuel Macron classificou a situação como a mais grave já registrada no país em décadas.

“A situação com a qual estamos lidando hoje é a mais grave que já registramos, a mais difícil desde a Segunda Guerra Mundial”, afirmou.

Durante uma visita às equipes de emergência em Bordeaux, na noite de segunda-feira (27), Macron também descreveu o episódio como um fenômeno sem precedentes.

“Estamos diante de um incêndio florestal completamente sem precedentes”, declarou.

Os incêndios florestais registrados na França já atingiram uma área superior à média observada no mesmo período de qualquer ano desde 2006. Desde janeiro, o país acumula 92 mil hectares queimados, segundo dados do sistema europeu EFFIS, o maior índice em duas décadas.

Na Espanha, a área destruída chega a 207 mil hectares desde o início do ano, número próximo do recorde histórico.

Incêndios aumentam com seca e ondas de calor provocadas pela crise climática

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A Europa, considerada o continente que apresenta o aquecimento mais acelerado no mundo, enfrenta uma sequência de ondas de calor intensas neste ano. Pesquisadores apontam que as mudanças climáticas provocadas pela ação humana contribuem para o aumento das temperaturas e da seca, criando condições para que o fogo se espalhe com maior velocidade, permaneça ativo por mais tempo e cause danos mais severos.

Apesar dos avanços no combate às chamas, a situação continuava delicada, segundo Nathalie Delattre, senadora pela Gironda, região onde está localizada Bordeaux.

“Tudo vai depender de como os bombeiros no local vão se sair”, afirmou ela em entrevista à emissora BFM TV nesta terça-feira.

Na cidade de Lacanau, na costa atlântica próxima a Bordeaux, acampamentos e residências turísticas foram esvaziados nesta terça-feira, conforme informou a prefeitura local em uma publicação no Facebook. Cerca de 4 mil pessoas precisaram deixar a região.

Na Espanha, as condições registradas durante a noite em Madri ajudaram as equipes a combater as frentes de fogo com maior eficiência, reduzindo parcialmente o risco, embora os focos ainda não estejam completamente controlados.

Muitos moradores permanecem aguardando autorização para retornar às suas casas. Em Aldea del Fresno, localizada a cerca de 50 quilômetros a oeste de Madri, dezenas de pessoas fizeram filas de veículos na expectativa de receber liberação da Guarda Civil.

“Não deixam passar por causa da fumaça, dizem que há muita e que nem com máscara dá para respirar”, relatou a empregada doméstica Galia Borisova, de 55 anos, que precisou abandonar seus animais durante a evacuação.

Entre os moradores autorizados a voltar, alguns encontraram apenas estruturas destruídas pelo fogo. “Perdemos tudo”, afirmou María Ángeles Cañete, de 54 anos, à AFP. Ela era proprietária, ao lado do marido, do camping Pantano del Burguillo, em Ávila, além de outro estabelecimento próximo.

O Reuters Climate Monitor aponta que Bordeaux deve registrar 33°C nesta terça-feira, temperatura 7,1°C acima da média diária entre 1961 e 1990. Em Madri, a previsão indica 37°C, cerca de 5,5°C acima da média histórica.

  • Publicado: 28/07/2026 10:43
  • Alterado: 28/07/2026 10:43
  • Autor: Daniela Penatti
  • Fonte: FOLHAPRESS