Inadimplência no consignado privado atinge 35% das empresas
Pesquisa da Serasa aponta que 65% dos casos decorrem de falhas sistêmicas e não falta de pagamento.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 01/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Um levantamento inédito realizado pela Serasa Experian, envolvendo 550 companhias, trouxe à tona um cenário preocupante para a gestão financeira corporativa. Entre as organizações familiarizadas com a modalidade, a inadimplência no consignado privado já foi registrada por 35% dos negócios, o que representa uma proporção de 1 em cada 3 empresas.
Apesar da alta incidência, o estudo revela que o problema raramente está na conta bancária do colaborador. Quase metade das organizações (46%) ainda desconhece ou não sabe detalhar o funcionamento do Crédito do Trabalhador, o que gera lacunas processuais graves. Essa falta de conhecimento técnico é um dos principais motores para o aumento da inadimplência no consignado privado no mercado atual.
Falhas operacionais superam a falta de pagamento
Ao contrário do senso comum, a incapacidade financeira dos trabalhadores é a causa minoritária dos atrasos. Os dados mostram que 65% dos casos decorrem de erros sistêmicos ou operacionais. As falhas mais comuns incluem:
- 30% devido a atrasos de informação entre o RH e a instituição financeira;
- 22% por falhas de integração com o eSocial/Dataprev;
- 13% relacionados a problemas no desconto em folha.
Apenas 33% dos casos de inadimplência no consignado privado estão efetivamente ligados à falta de pagamento por parte do funcionário, geralmente ocorrendo em situações de desligamento ou margem comprometida.
Sobre essa disparidade entre a percepção e a realidade dos fatos, Délber Lage, CEO da Salaryfits (empresa da Serasa Experian), esclarece:
“Quando falamos sobre inadimplência, automaticamente pensamos na falta de recursos financeiros para honrar compromissos. No entanto, a realidade do consignado privado é outra. Nesse caso, a maior parte dos contratos estão inadimplentes por erros sistêmicos ou operacionais, e não porque o trabalhador não têm dinheiro para honrá-los, está sem margem salarial ou foi desligado da empresa.”
Desafios de integração e tecnologia
A novidade da modalidade impõe uma curva de aprendizado. A pesquisa indica que 28,2% das companhias afirmam dominar apenas o básico para aplicar o recurso, enquanto somente 25,8% conhecem bem o produto. Essa lacuna de expertise técnica contribui diretamente para os índices de inadimplência no consignado privado, gerando juros mais altos e sobrecarga para os departamentos de Recursos Humanos.
O executivo da Salaryfits reforça a necessidade de automação para mitigar esses riscos:
“São desafios naturais que envolvem a integração de sistemas, atualização de dados e interação com diferentes interlocutores, como a empresa empregadora, o funcionário, o governo e o banco. Esse cenário de desafios operacionais tem implicado, de um lado em juros mais altos e, de outro, uma série de responsabilidade empregadas às áreas de RH. Nosso papel na SalaryFits é justamente o de trazer tecnologia para facilitar a comunicação entre os players e simplificar operações automatizando processos e reduzindo falhas para que o crédito cumpra seu verdadeiro propósito de apoiar a saúde financeira dos trabalhadores.”
Setores e empresas mais afetados
O estudo também traçou o perfil das companhias que mais sofrem com a inadimplência no consignado privado. O problema é mais agudo nas empresas de médio porte (43,8%), seguidas pelas pequenas (28,6%) e grandes (24,3%).
Na análise setorial e regional, os dados destacam:
- Comércio varejista: concentra 48% dos casos;
- Indústria: registra 38,6%;
- Região Nordeste: lidera com 42,1%;
- Região Sudeste: apresenta 33,3%.
Ao analisar o gráfico de tendências, percebe-se que a inadimplência no consignado privado tende a aparecer justamente onde a adoção do crédito avançou mais rápido, exigindo ajustes de rota.

“A inadimplência se concentra nas empresas que mais avançaram na adoção do crédito do trabalhador, o que reflete uma fase natural de aprendizado e integração do modelo. São ajustes operacionais esperados em um processo novo, no qual a tecnologia tem papel essencial ao automatizar rotinas, reduzir falhas e garantir que o consignado cumpra seu propósito de apoiar a saúde financeira com segurança para empresas de todos os portes e segmentos.”