Impostos no material escolar chegam a até 52% do valor
Levantamento da ACSP revela o peso da carga tributária na volta às aulas e aponta a caneta como o item com maior incidência de taxas no Brasil.
- Publicado: 15/01/2026
- Alterado: 28/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Fever
Os impostos no material escolar representam um dos maiores obstáculos para o equilíbrio financeiro das famílias brasileiras neste início de ano letivo. Com o fim das férias e a retomada da rotina acadêmica, o consumidor se depara com uma realidade dura: mais da metade do preço pago em itens básicos serve apenas para cobrir tributos, conforme alerta a Associação Comercial de São Paulo (ACSP).
Dados levantados pelo Impostômetro mostram que a tributação sobre produtos educacionais não sofreu quedas relevantes na transição anual. A educação, embora seja um direito constitucional e um pilar de desenvolvimento, continua sendo tratada pelo sistema tributário como um bem de consumo supérfluo em diversas categorias.
Ulisses Ruiz de Gamboa, economista do Instituto de Economia Gastão Vidigal (IEGV/ACSP), reforça que a falta de atualização nas alíquotas pressiona diretamente o bolso dos pais.
“A carga tributária sobre o material escolar continua muito elevada e recai sobre itens essenciais. A educação é um investimento fundamental para a sociedade, e como não houve mudanças relevantes nas alíquotas, os preços seguem pressionados”, analisa Gamboa.
Vilões dos impostos no material escolar
Ao analisar a lista de compras, a disparidade entre o valor do produto e o custo fiscal assusta. A caneta esferográfica lidera o ranking de taxação, onde 51,7% do valor pago pelo consumidor é destinado aos cofres públicos.
Para quem precisa montar o estojo completo, a situação exige cautela. Além da caneta, itens como réguas e agendas possuem cargas superiores a 40%. Essa incidência elevada de impostos no material escolar obriga o consumidor a adotar estratégias rigorosas de pesquisa de preço.
Confira abaixo a tabela detalhada com a carga tributária de cada item, baseada nos dados oficiais do Impostômetro:
| Item Escolar | Carga Tributária (%) |
|---|---|
| Caneta | 51,70% |
| Régua | 43,91% |
| Agenda escolar | 42,34% |
| Pastas plásticas | 41,68% |
| Tesoura escolar | 41,47% |
| Pastas em geral | 41,20% |
| Lancheiras | 40,72% |
| Apontador | 39,52% |
| Borracha escolar | 39,52% |
| Fichário | 38,97% |
| Folhas para fichário | 37,77% |
| Caderno universitário | 34,58% |
| Papel carbono | 33,93% |
| Papel pardo | 26,90% |
| Papel sulfite | 26,42% |
| Livro escolar | 15,55% |
Curiosamente, o livro escolar apresenta a menor taxação da lista (15,55%), devido a incentivos fiscais específicos para a cultura e educação, o que não se aplica aos demais insumos de papelaria.
Estratégias para driblar a tributação
Diante de taxas tão agressivas, a recomendação dos especialistas é clara: antecipação e comparação. Deixar as compras para a última hora impede a pesquisa minuciosa de mercado, expondo o consumidor a preços ainda mais elevados pela lei da oferta e da procura.
O economista da ACSP sugere que os pais iniciem as aquisições antes mesmo de receberem a lista completa das escolas. Aproveitar promoções de itens genéricos — como cadernos e folhas — ajuda a diluir o impacto final dos impostos no material escolar no orçamento de janeiro.
Pesquisar em atacados e realizar compras coletivas com outros pais também surge como uma alternativa viável para reduzir o preço unitário dos produtos.
Planejamento financeiro é a única defesa imediata contra a mordida do Leão. Enquanto reformas estruturais não desoneram o setor, o brasileiro continuará pagando caro para estudar, com os impostos no material escolar consumindo uma fatia desproporcional da renda familiar.