Impacto da solidão na era digital chama atenção da OMS
Relatórios da OMS alertam que a solidão aumenta o risco de mortalidade precoce; projeto "Eu Invisível" debate o paradoxo da hiperconectividade
- Publicado: 03/02/2026
- Alterado: 29/01/2026
- Autor: Redação
- Fonte: Pocah
A solidão tem sido apontada por organismos internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS) e a OCDE, como um dos desafios emergentes mais críticos para a saúde pública global neste início de 2026. Em um mundo marcado pela hiperconectividade, o sentimento de isolamento social tornou-se um paradoxo: embora estejamos tecnologicamente próximos, o distanciamento emocional nunca foi tão evidente. É nesse cenário que o projeto “Eu Invisível” lança, no próximo dia 30 de janeiro, às 18h, o conteúdo especial “As Pessoas Estão Mais Sozinhas?”, uma produção que investiga as raízes desse fenômeno nas redes sociais.
A filósofa e criadora de conteúdo Maria Luiza Rodrigues, uma das convidadas da iniciativa, utiliza o pensamento de Zygmunt Bauman para explicar essa dicotomia. Segundo ela, a velocidade das interações digitais sacrifica a profundidade dos vínculos. “Nunca estivemos tão imersos em uma multidão de pessoas e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão solitários”, reflete a filósofa, destacando como a solidão se camufla entre curtidas e notificações.
O impacto dos algoritmos na saúde mental
A apresentadora do programa, Cris Siqueira, traz uma provocação necessária sobre o papel do indivíduo na existência digital. Para ela, o modelo atual de consumo de conteúdo aprisiona o usuário em bolhas selecionadas por algoritmos, o que limita a percepção de mundo e aprofunda a sensação de vazio. “Ficamos presos em ambientes engessados que nos fazem sentir que estamos derretendo em nossas próprias mãos, perdendo a essência de quem somos fora do roteiro das redes”, afirma Cris.
Essa percepção subjetiva de solidão encontra eco em evidências científicas recentes. Uma meta-análise publicada em 2025 pelo Journal of Medical Internet Research associou diretamente o uso excessivo de redes sociais ao aumento do sofrimento psíquico. A busca constante por validação digital e o consumo passivo de informações são apontados como fatores que enfraquecem os laços interpessoais, afetando prioritariamente:
- Adolescentes: Pela dependência da aprovação social imediata.
- Jovens Adultos: Que enfrentam a pressão por performances de sucesso nas redes.
- Idosos: Que, apesar do potencial da tecnologia, muitas vezes enfrentam barreiras de exclusão digital.
A carência de escuta e o isolamento nas bolhas
Outro eixo fundamental debatido no projeto é como a solidão é alimentada pelo empobrecimento do debate público. Maria Luiza Rodrigues observa que vivemos um tempo em que todos desejam ser ouvidos, mas poucos estão dispostos a exercer a escuta ativa. Essa carência de diálogo real nos isola em bolhas informacionais, reduzindo a pluralidade do pensamento e transformando o espaço digital em um ambiente hostil e solitário.
A produção reforça que o combate à solidão passa pela reconexão humana genuína. No caso do público idoso, o projeto destaca que a inclusão digital pode ser uma aliada poderosa, desde que seja orientada para fortalecer redes de apoio reais e não apenas para o consumo passivo de mídias.
Como combater a solidão no cotidiano digital?
O encerramento da produção do “Eu Invisível” propõe um convite à reflexão sobre empatia e presença. Em um contexto de polarização e excesso de estímulos, aprender a estar presente e permitir-se ser transformado pela convivência humana fora das telas é o primeiro passo para mitigar a solidão.
A proposta é que a tecnologia volte a ser uma ponte, e não um muro. O material completo, que promete ser um guia para quem busca entender e superar o isolamento na modernidade, estará disponível no canal Cris e Panda, no YouTube, a partir do dia 30 de janeiro.