IGP-M cai 0,34% em março
A deflação de março é a menor taxa desde março de 2024, quando o indicador também ficou negativo (-0,47%)
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 28/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), amplamente conhecido como o índice que reflete a inflação do aluguel, apresentou uma deflação de 0,34% em março de 2024. Esse resultado indica que, em média, os preços no mercado tiveram uma diminuição, contrastando com o aumento de 1,06% observado em fevereiro. A cotação do minério de ferro no mercado internacional foi um dos principais responsáveis pela redução da inflação neste mês.
Os dados foram divulgados na última sexta-feira (28) pelo Instituto Brasileiro de Economia da Fundação Getulio Vargas (FGV Ibre). Ao longo dos últimos 12 meses, o IGP-M acumula um aumento de 8,58%. Essa deflação registrada em março é a mais baixa desde março do ano passado, quando o indicador também apresentou uma taxa negativa de -0,47%.
A metodologia utilizada pela FGV para calcular o IGP-M considera três componentes principais. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA), que mede a inflação enfrentada pelos produtores e representa 60% do total do IGP-M, é o que possui maior peso.
No mês de março, o IPA teve uma variação negativa de 0,73%, influenciado pela queda acentuada de 3,64% nos preços do minério de ferro. Segundo Matheus Dias, economista do Ibre, essa situação se deve a um cenário repleto de incertezas provocado pela guerra comercial.
A guerra comercial refere-se às ações protecionistas iniciadas pelo ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que impôs tarifas sobre produtos importados para os EUA. Essas medidas elevaram os preços e dificultaram a competitividade dos produtos estrangeiros em relação aos americanos. Essa estratégia é considerada uma possível precursora de uma recessão econômica global.
Além do IPA, outro componente relevante do IGP-M é o Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que registrou uma variação de 0,80% em março, inferior à taxa de 0,91% observada em fevereiro. A desaceleração no IPC pode ser atribuída à diminuição dos efeitos dos reajustes nas mensalidades escolares ocorridos no mês anterior. O segmento relacionado à educação, leitura e recreação teve uma queda significativa de 1,60%, após ter subido 0,29% em fevereiro.
Outro fator que contribuiu para a desaceleração do IPC foi a considerável redução nos preços das passagens aéreas, que caíram 13,71%. Contudo, dois itens alimentícios foram destacados entre os cinco maiores responsáveis pelo aumento do IPC em março: ovos (+19,16%) e café em pó (+8,76%).
A pressão dos preços dos alimentos também foi refletida no Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), que serve como prévia da inflação oficial e alcançou 0,64%, conforme relatório divulgado na quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).
O IPC representa 30% da composição do IGP-M. O terceiro componente avaliado pela FGV é o Índice Nacional de Custo da Construção (INCC), que desacelerou para 0,38% em março após registrar uma alta anterior de 0,51%.
De acordo com Dias, a desaceleração na taxa de variação da mão de obra foi significativa, passando de 0,59% em fevereiro para 0,35%, impactando diretamente na diminuição dos custos relacionados à construção civil.
O IGP-M é frequentemente denominado como a “inflação do aluguel”, visto que seu acumulado em 12 meses serve como base para os reajustes anuais nos contratos imobiliários. Além disso, este índice é utilizado para ajustar tarifas públicas e serviços essenciais.
A coleta dos preços considerados para o cálculo do IGP-M ocorre em diversas cidades brasileiras, incluindo Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Salvador.