Ibovespa hoje dispara com avanço de Flávio Bolsonaro
A bolsa brasileira disparou com o otimismo dos investidores em relação ao equilíbrio fiscal, enquanto a moeda americana despencou no mercado local
- Publicado: 05/10/2026 16:25
- Alterado: 05/10/2026 16:25
- Autor: Leonardo Nogueira
O Ibovespa hoje operou em forte rali de alta ao registrar valorização de 8,47%, alcançando o patamar dos 208.380 pontos no meio da sessão. A reação entusiasmada dos investidores reflete o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais, no qual o senador Flávio Bolsonaro (PL) abriu vantagem sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Paralelamente, o dólar comercial recuou 4,41%, negociado a R$ 4,98.
A perspectiva de uma agenda liberal acelerou a busca por ativos brasileiros. O mercado financeiro antecipa uma trajetória mais rigorosa para a dívida pública, sustentada pela ampla presença de parlamentares de centro-direita eleitos para o Congresso Nacional.
Petrobras e varejo puxam altas no Ibovespa hoje

As ações da Petrobras figuraram entre os maiores destaques da jornada. O papel preferencial da estatal (PETR4) saltou 9,09%, cotado a R$ 55,88, acompanhando a valorização de quase 10% dos seus recibos de ações (ADRs) na Bolsa de Nova York antes mesmo da abertura dos negócios no Brasil.
Setores altamente dependentes do ciclo econômico interno aceleraram com vigor. A forte queda nas taxas de juros futuros impulsionou os papéis das grandes varejistas:
- Magazine Luiza (MGLU3): disparada de 24,97%, negociada a R$ 9,50.
- C&A (CEAB3): avanço de 20,97%, atingindo R$ 12,46.
- Lojas Renner (LREN3): salto de 18,37%, cotada a R$ 13,94.
- Azzas (AZZA3): ganho de 11,31%, aos R$ 21,75.
O setor bancário garantiu sustentação ao índice com altas expressivas de dois dígitos. As ações do Banco do Brasil (BBAS3) subiram 12,77%, enquanto Bradesco (BBDC4) e Itaú Unibanco (ITUB4) avançaram 14,14% e 10,82%, respectivamente. Analistas destacam que juros futuros menores aliviam o risco de inadimplência no crédito corporativo. O movimento do Ibovespa hoje refletiu também a euforia no exterior, onde o ETF MSCI Brazil (EWZ) saltou mais de 11% em Nova York.
O contraponto das exportadoras e a curva de juros
A valorização acelerada do real trouxe pressão negativa pontual para companhias voltadas à exportação. A Vale (VALE3) recuou 2,69%, negociada a R$ 70,16, caminhando na contramão do otimismo geral.
“Como a Vale é exportadora e quase toda a receita dela é em moeda estrangeira, a pressão cambial acaba atrapalhando um pouco o resultado em reais.”
— Daniel Teles, especialista e sócio da Valor Investimentos.
O mesmo ajuste cambial atingiu gigantes como Embraer, WEG e Suzano. Contudo, o grande alívio do dia veio do mercado de renda fixa, no qual o contrato de juros futuros (DI) para janeiro de 2031 despencou de 14% para 12,85%.
Projeções e volatilidade para o segundo turno
A queda nos juros de longo prazo reduz o custo de capital das empresas brasileiras. Bruno Perri, economista-chefe da Forum Investimentos, avalia que a especulação sobre nomes como Daniela Marques para compor uma eventual equipe econômica reforçou a confiança dos agentes financeiros na ancoragem das contas públicas.
“A expectativa já era de alta para o começo do dia, mas parte do movimento foi antecipada. A abertura vem forte, mas pode ser seguida de realização de lucros.”
— Marcelo Boragini, especialista em renda variável da Davos Investimentos.
Estimativas do BTG Pactual apontam que uma confirmação da vitória de Flávio Bolsonaro no segundo turno, marcado para 25 de outubro, pode fazer a bolsa retornar à sua média histórica, indicando um potencial de alta adicional entre 11% e 20%. Até lá, a precificação do Ibovespa hoje continuará atrelada às alianças políticas e aos compromissos com o arcabouço fiscal.