IBGE: servidores denunciam retaliação e assédio moral sob gestão de Márcio Pochmann
Servidores do IBGE questionam transferências de gerências para área violenta
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 27/03/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro SABESP FREI CANECA
Um grupo de servidores do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apresentou graves acusações de retaliação e assédio moral contra a administração liderada pelo economista Márcio Pochmann, que assumiu a presidência da instituição em agosto de 2023. A denúncia foi formalizada em uma carta assinada por 11 técnicos das gerências Gecoi (Gerência de Sistematização de Conteúdos Informacionais) e Gedi (Gerência de Editoração), cuja circulação se intensificou nos bastidores a partir da noite de quarta-feira, 26.
No documento, os servidores relatam que a coordenação-geral do Centro de Documentação e Disseminação de Informações (CDDI) determinou a transferência das gerências Gecoi e Gedi para um complexo localizado em Parada de Lucas, na zona norte do Rio de Janeiro. A justificativa apresentada foi a necessidade de concentrar os serviços gráficos da instituição nesse local, uma decisão considerada pelos servidores como “insólita”, especialmente devido à proximidade da unidade com áreas dominadas pelo crime organizado, como o Complexo de Israel.
A mudança impactaria diretamente 12 servidores efetivos, e segundo os relatos, ocorreu após questionamentos feitos por membros das gerências em relação a ações implementadas pela gestão atual. Um exemplo significativo desse descontentamento remonta a janeiro, quando os funcionários apontaram que uma publicação do IBGE continha conteúdo que poderia ser interpretado como propaganda política do governo de Pernambuco, em desacordo com as diretrizes institucionais.
A Gecoi é encarregada das atividades de documentação dentro do IBGE, enquanto a Gedi se ocupa da editoração dos materiais produzidos. Desde a criação do CDDI na década de 1990, ambas as gerências operam em um endereço situado na região do Maracanã, também na zona norte do Rio.
Na carta, os servidores expressam preocupação com o que descrevem como um ambiente marcado por personalismo dentro do IBGE, o que teria levado a pedidos de exoneração nas diretorias relacionadas às pesquisas e geociências. “Concluímos que ambas as unidades se tornaram objetos de retaliação e assédio moral”, afirmam os signatários.
A Folha tentou entrar em contato com a direção do IBGE na manhã desta quinta-feira para obter uma posição oficial sobre as alegações, mas até o fechamento desta reportagem não houve resposta.
Desde setembro do ano passado, o IBGE enfrenta uma crise interna significativa. A presidência tem priorizado declarações públicas em seu site para responder às críticas recebidas. Em várias ocasiões, a gestão rechaçou as alegações de autoritarismo feitas por funcionários. No início deste ano, Pochmann declarou que o instituto era alvo de “mentiras” e ressaltou que estava passando por uma “transformação importante”, embora essa mudança não tenha sido sempre bem compreendida por todos.
Segundo a carta dos servidores, aqueles vinculados ao CDDI na nova localização em Parada de Lucas desempenham funções predominantemente gráficas, enquanto os colaboradores das gerências afetadas estariam mais ligados a tarefas digitais. Eles destacam que nunca houve necessidade comprovada que justificasse a proximidade física das duas gerências com os serviços gráficos para alcançar qualquer objetivo institucional.
Ademais, enfatizam que a proposta de mudança torna-se ainda mais incoerente considerando que o complexo em Parada de Lucas estava prestes a ser desativado devido ao aumento da violência nas comunidades circunvizinhas. Em junho do ano passado, o IBGE havia anunciado a instalação de sua agência em São João de Meriti nessa mesma unidade, com Pochmann afirmando que isso reduziria custos com aluguéis e permitiria otimizar recursos para as atividades do instituto.