Iara Pimentel é agredida durante ato político em Minas Gerais
Iara Pimentel foi atingida no rosto durante ato político em Montes Claros; agressão gerou repúdio e cobranças por investigação e responsabilização no caso
- Publicado: 25/10/2026 17:04
- Alterado: 25/10/2026 17:04
- Autor: Carlos Enriki
A disputa do segundo turno das eleições de 2026 foi marcada por relatos de violência política contra candidatos, militantes, agentes públicos e cidadãos. Entre os episódios citados estão a agressão à vereadora Iara Pimentel (PT), em Montes Claros (MG), ameaças contra a deputada federal eleita Ana Elisa (PT-MG) e denúncias de violência contra mulheres durante atividades políticas no Distrito Federal.
Os casos provocaram manifestações de representantes políticos e entidades, que cobraram investigação e responsabilização dos envolvidos. Durante a votação deste domingo (25), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva também mencionou episódios de violência e defendeu o respeito às diferenças políticas.
Iara Pimentel é atingida durante ato em Montes Claros
A vereadora Iara Pimentel foi atingida no rosto por um objeto durante um ato político realizado na noite de sábado (24), em Montes Claros. Segundo o relato divulgado, o carro de som em que ela estava foi alvo de garrafas, tijolos e outros objetos. A parlamentar precisou deixar o local em uma ambulância do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu).
Após o episódio, Iara afirmou que divergências políticas não justificam agressões e pediu investigação sobre o caso.
“Pensar diferente é um direito. A violência política é uma ameaça à democracia. Nenhuma divergência pode justificar agressões ou colocar vidas em risco”, declarou.
A deputada federal eleita Ana Elisa também se manifestou sobre a agressão, classificando o episódio como “inadmissível”. Ela prestou solidariedade à vereadora e às demais pessoas feridas e defendeu a responsabilização dos autores.
“A democracia não combina com pedras, ameaças e agressões”, afirmou.
Ana Elisa relata ameaças de morte e violência sexual
A deputada federal eleita Ana Elisa já havia denunciado ameaças de morte e estupro nas redes sociais. Diante das mensagens, desativou sua conta na plataforma X e informou ter levado o caso à Polícia Civil de Minas Gerais.
Segundo a parlamentar, os ataques eram recorrentes e incluíam conteúdo racista, misógino e de violência sexual. Ela relatou receber mensagens ofensivas “a cada dois minutos” e afirmou estar “totalmente vulnerável”.
Após as ameaças, Ana Elisa foi incluída no Programa Estadual de Proteção de Minas Gerais.
Lula defende convivência democrática
Após votar em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, Lula citou a agressão contra a vereadora mineira e outros episódios de violência registrados durante a campanha. O presidente defendeu a convivência entre pessoas com opiniões políticas, religiosas e visões de mundo diferentes.
“A coisa mais sagrada na democracia é a convivência democrática na diversidade”, afirmou.
Lula também usou exemplos do cotidiano para defender que divergências não devem resultar em conflitos.
“Os vizinhos não precisam ter o mesmo candidato, mas também não precisam brigar. Não precisam gostar da mesma religião, mas também não precisam brigar”, declarou.
O presidente acrescentou que o respeito aos direitos e às escolhas de outras pessoas é essencial para a democracia.
Entidades denunciam agressões no Distrito Federal
A violência política também foi denunciada no Distrito Federal. A União Brasileira de Mulheres do Distrito Federal (UBM-DF) relatou agressões contra sua presidenta, Maria das Neves Filha, e a presidenta da Mocidade do Gama, Edilamar Melo.
O episódio ocorreu durante uma atividade de panfletagem em frente ao CEMI-Gama e foi registrado em vídeo. De acordo com a entidade, um homem identificado como policial militar aposentado teria arremessado uma mesa e derrubado materiais utilizados na atividade.
A UBM-DF informou que registrou boletim de ocorrência e anunciou medidas judiciais. A organização classificou o episódio como violência política de gênero e afirmou que não se pode naturalizar agressões contra mulheres.
Fenajufe cobra responsabilização por ameaças
A Federação Nacional dos Trabalhadores e das Trabalhadoras do Judiciário Federal e Ministério Público da União (Fenajufe) também divulgou nota de repúdio a ameaças contra servidores da Justiça Eleitoral. Segundo a entidade, as intimidações vêm sendo registradas desde o primeiro turno das eleições.
A federação cobrou a responsabilização dos envolvidos diante dos relatos de ameaças.
Os episódios relatados durante o período eleitoral colocam em evidência denúncias de agressões físicas, intimidações e ataques direcionados a pessoas envolvidas na disputa política. As circunstâncias de cada ocorrência dependem de apuração pelas autoridades competentes.