IA nas escolas: distritos usam, mas falta estratégia
Estudo CoSN/HPE revela que 72% das redes têm adoção baixa e apenas 3% atingiram maturidade avançada.
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 22/10/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
A implementação da IA nas escolas está avançando rapidamente, mas seu foco principal tem sido nas operações administrativas, e não apenas na sala de aula. Um novo relatório, Operational AI in Education: A CoSN 2025 Member Survey, revela um cenário de adoção ainda inicial. O estudo, conduzido com 281 líderes de tecnologia de distritos escolares entre junho e julho de 2025, mostra que 72% das redes de ensino utilizam inteligência artificial em até 10% de seus processos.
Em contrapartida, apenas 3% alcançaram um uso avançado, aplicando a tecnologia em mais da metade de suas atividades diárias. O levantamento aponta que a IA é mais usada para segurança de rede (65%), geração automática de relatórios (54%) e detecção de anomalias (46%), indicando uma clara tendência de uso para eficiência e proteção digital.
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O Desafio da Maturidade na Adoção da IA
Apesar da expansão, a pesquisa da CoSN e HPE demonstra que a maturidade no uso da IA nas escolas ainda é baixa. A maioria dos distritos (76%) possui lideranças que estão apenas em fases de discussão ou têm visões parciais sobre a aplicação da tecnologia.
Alarmantemente, 22% dos distritos não possuem qualquer diretriz definida. O estudo conclui que o uso operacional da inteligência artificial no ambiente escolar ainda carece de uma estratégia estruturada, métricas claras de desempenho e políticas de segurança robustas.
Desafios Técnicos e Riscos de Segurança

O relatório também identifica os principais obstáculos para a implementação efetiva da IA. A falta de especialistas técnicos é o maior desafio, citado por 60% dos entrevistados. Logo atrás vêm o aumento dos riscos de segurança (49%) e a complexidade na configuração dos sistemas (33%).
Existe uma disparidade notável: embora 82% considerem ter infraestrutura tecnológica adequada para a IA nas escolas, apenas 7% afirmam estar plenamente seguros quanto à proteção cibernética. Este dado reflete o estágio de transição das instituições, que estão tecnologicamente aptas, mas ainda dependem urgentemente de governança e capacitação.
O Exemplo Brasileiro: Eficiência e Fator Humano
No Brasil, o debate sobre a IA nas escolas encontra soluções práticas em plataformas como o TutorMundi, que busca equilibrar eficiência e segurança. A empresa utiliza inteligência artificial para organizar atendimentos, realizar a triagem de dúvidas e gerar relatórios pedagógicos. Isso permite que os tutores humanos concentrem seu tempo em interações complexas e explicações personalizadas.
Em 2024, a plataforma registrou mais de 47 mil horas de monitoria, ultrapassando a marca de 1 milhão de atendimentos educacionais desde sua fundação.
Para Rapha Coe, CEO do TutorMundi, o avanço da IA nas escolas exige processos definidos e formação contínua. “Não basta implementar tecnologia, é preciso treinar equipes, revisar práticas e garantir que a IA trabalhe a favor das pessoas. O ganho real acontece quando a automação fortalece o trabalho humano, e não quando tenta substituí-lo”, afirma Coe.
O estudo da CoSN e da HPE reforça a urgência: o próximo passo para as redes de ensino é transformar o uso pontual da IA nas escolas em uma estratégia institucional coesa. Para que a tecnologia opere de forma integrada e confiável, será essencial investir massivamente em capacitação técnica, segurança robusta e ética digital, garantindo que a eficiência operacional ampliada não comprometa a missão educacional.