Inteligência artificial pode acelerar fertilização in vitro (FIV)

Uso de inteligência artificial em clínicas de reprodução assistida ajuda na seleção de embriões e pode diminuir tentativas frustradas em tratamentos de FIV

Crédito: Reprodução/Dino

A inteligência artificial vem ganhando espaço nos tratamentos de fertilização in vitro (FIV) no Brasil e já auxilia médicos e embriologistas em diferentes etapas da reprodução assistida. A tecnologia é usada para avaliar óvulos, espermatozoides e embriões, além de contribuir na definição de doses hormonais e no momento ideal para a transferência embrionária.

Segundo especialistas da área, o objetivo da IA é tornar o processo mais preciso e reduzir o tempo até a gravidez, embora o acompanhamento médico continue sendo indispensável.

A empresa canadense Future Fertility, responsável por um dos softwares pioneiros na análise de óvulos, afirma que a tecnologia já está presente em dezenas de clínicas brasileiras. Já a rede FertGroup informou utilizar recursos de IA em todas as suas unidades no país.

Tecnologia ajuda a selecionar embriões com maior potencial

Na fertilização in vitro tradicional, a análise de embriões e gametas depende da observação de profissionais experientes. Com a inteligência artificial, imagens microscópicas passam a ser avaliadas por algoritmos que identificam padrões associados a maiores chances de implantação e gravidez.

De acordo com Oscar Duarte, diretor médico nacional da FertGroup, a IA já pode ser aplicada desde a estimulação ovariana até a transferência do embrião ao útero.

“Hoje a gente tem recursos de IA em todas essas fases”, afirmou o especialista.

Entre os equipamentos utilizados está o Embryoscope, incubadora que monitora continuamente os embriões sem necessidade de retirá-los para análise em microscópio. O sistema registra imagens em intervalos curtos e utiliza inteligência artificial para comparar o desenvolvimento embrionário com milhares de casos anteriores.

Paciente passou por seis fertilizações até conseguir engravidar

A advogada Suellen Prado Vecchi, de 39 anos, enfrentou um longo processo até realizar o sonho da maternidade. Após uma gravidez ectópica e a perda de uma das trompas, ela decidiu recorrer à fertilização in vitro.

Para engravidar do primeiro filho, Giovanni, hoje com 2 anos, foram necessárias quatro fertilizações in vitro e seis transferências de embriões ao longo de cerca de dez meses. Já na segunda gestação, que resultou no nascimento de Daniel, de 4 meses, o tratamento foi mais rápido, com duas FIVs e apenas uma transferência embrionária.

Além do monitoramento embrionário, a paciente também utilizou inteligência artificial na seleção de óvulos e realizou biópsia genética embrionária para identificar alterações cromossômicas.

“Eu me senti tranquila com a IA. É apenas uma tecnologia a mais. O que contou pra mim foi o crivo do meu médico”, relatou Suellen.

Alto custo ainda limita acesso ao tratamento

Apesar dos avanços tecnológicos, o custo da fertilização in vitro continua sendo um dos principais obstáculos para ampliar o acesso ao tratamento no Brasil.

Cada ciclo de reprodução assistida pode variar entre R$ 15 mil e R$ 45 mil, dependendo da clínica, da medicação e do acompanhamento médico. O uso da inteligência artificial pode acrescentar entre R$ 1,5 mil e R$ 2 mil ao valor final.

No caso de Suellen, o investimento total ao longo das tentativas chegou a aproximadamente R$ 180 mil.

Atualmente, os planos de saúde não são obrigados a cobrir procedimentos de reprodução assistida, já que eles não fazem parte do rol da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS).

Especialistas pedem cautela no uso da IA

Embora seja considerada promissora, a inteligência artificial ainda não é vista como garantia de sucesso nos tratamentos de fertilização. Especialistas destacam que a experiência médica e a análise humana permanecem fundamentais para os resultados.

Roberto Antunes, presidente da Sociedade Brasileira de Reprodução Assistida (SBRA), afirma que a tecnologia auxilia na escolha de embriões com maior potencial, mas não substitui o trabalho clínico.

“O principal benefício é que o tempo para ter um bebê no colo é menor”, explicou o especialista.

  • Publicado: 24/05/2026 12:24
  • Alterado: 24/05/2026 12:24
  • Autor: Suzana Rezende
  • Fonte: FolhaPress