IA Arandu é desenvolvido por mulheres indígenas para preservar cultura
Ferramenta criada por mulheres originárias protege saberes ancestrais e impulsiona a autonomia financeira nas aldeias brasileiras.
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 02/02/2026
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
A IA Arandu surge como um marco histórico na proteção da cultura dos povos originários ao aliar inovação digital e sabedoria ancestral. Desenvolvida exclusivamente por mulheres de diversas etnias, a ferramenta integra a plataforma Círculos Indígenas e atua como uma guardiã digital de valores e tradições.
O projeto foi construído coletivamente ao longo de 2025, impulsionado por uma convocação da ONG Recode. O objetivo central é claro: fortalecer as redes de apoio feminino, preservar conhecimentos milenares e ampliar as vozes das comunidades sem romper com seus costumes. A tecnologia aqui não substitui, mas serve como alavanca para a perpetuação da história.
Inovação e autonomia com a IA Arandu
Dentro do ecossistema onde a IA Arandu opera, as participantes ganham ferramentas para produzir, editar e distribuir conteúdos. Mais do que registro cultural, a iniciativa fomenta a autonomia econômica. A plataforma permite a comercialização de produtos e criações desenvolvidas nas aldeias, criando um ciclo sustentável de geração de renda.
Atualmente, o grupo abrange representantes do Distrito Federal e de 12 estados. A diversidade é a força motriz do projeto, que já conta com mulheres das etnias:
- Pataxó e Pataxó Hãhãhãe
- Guajajara
- Terena
- Apurinã
- Juruna (Yudjá)
- Wapichana
- Boe Bororo
- Kaxinawá
Rodrigo Baggio, CEO da Recode, destaca que as mulheres indígenas enfrentam barreiras estruturais históricas no acesso à tecnologia. Segundo ele, este movimento garante que essas vozes assumam o protagonismo de suas próprias narrativas, utilizando a IA Arandu como instrumento de poder.
O despertar de novas vozes
A iniciativa impacta vidas reais, como a de Júlia Tainá, de 38 anos. Moradora do Acre e descendente de Manchineri, Pataxó e Tupinambá, ela encontrou no projeto um caminho de reconexão. Para Júlia, que vive em contexto urbano, o ambiente virtual tornou-se um território seguro de expressão e pertencimento.
“A IA ajuda a organizar nossas ideias, na descrição das peças, na forma de contar a história, de compartilhar o que produzimos. Ela nos apoia a estruturar nossas falas e a aprender a nos comunicar do nosso jeito. Porque é dessa forma que conseguimos impactar o futuro, sem abrir mão de quem somos.”
Funcionalidades e expansão da tecnologia
A plataforma oferece recursos intuitivos para a criação de textos, vídeos e áudios, funcionando como um acervo digital vivo. Para garantir a acessibilidade e a troca cultural, a IA Arandu oferece suporte avançado para tradução entre línguas indígenas e o português, além de fornecer análises de engajamento e sugestões de conteúdo.
O roteiro de expansão é ambicioso. Com inscrições abertas para a terceira turma, a meta é alcançar 240 participantes até 2026. O sistema de e-commerce continua sendo aprimorado para facilitar a venda de produtos locais, consolidando a independência financeira das participantes.
Esta união entre o código digital e a herança cultural prova que a inovação pode ser ética e diversa. Ao respeitar os contextos locais e os direitos coletivos, a iniciativa demonstra ao mundo a capacidade de adaptação e resistência dos povos originários através da IA Arandu.