MP investiga Hytalo Santos por exploração de menores em vídeos
Após a repercussão de vídeos de Felca, o influenciador é alvo de inquérito por suposta exploração de menores e uso indevido de suas imagens em redes sociais
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 13/08/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Sorria!,
O Ministério Público da Paraíba (MPPB) está conduzindo uma investigação sobre um possível esquema de exploração envolvendo menores de idade em vídeos produzidos pelo influenciador digital Hytalo Santos. A apuração começou após denúncias que sugerem que o influenciador estaria oferecendo benefícios financeiros e materiais a familiares de adolescentes em troca da emancipação dos jovens que participam de seus conteúdos.
De acordo com informações reveladas pelo promotor João Arlindo Côrrea, os pagamentos incluem aluguéis, mensalidades escolares e até dispositivos eletrônicos, como celulares. O caso ganhou notoriedade após o Felca fazer uma denúncia pública sobre a suposta exploração, resultando na exclusão da conta de Hytalo Santos no Instagram.
“A investigação busca entender se existiria uma troca entre esses benefícios e a emancipação dos adolescentes para que eles pudessem participar dos vídeos”, explicou Côrrea. Apesar de não haver evidências diretas ligando os presentes à emancipação, relatos indicam que Hytalo teria custeado despesas significativas para as famílias envolvidas.
De acordo com o G1, cerca de 17 adolescentes estão sob investigação por suas aparições em conteúdos que incluem danças e situações com conotação sexual. Muitos destes jovens já obtiveram a emancipação antes de serem filmados, o que levanta questões sobre a responsabilidade dos pais na supervisão e proteção dos filhos.
O MPPB também está analisando o papel dos responsáveis legais, que podem ser considerados omissos ao permitir a exposição de seus filhos a esse tipo de conteúdo. Caso as acusações sejam confirmadas, as consequências podem ser severas, incluindo responsabilização legal por danos causados aos menores.
Simultaneamente, o MP investiga outro inquérito na cidade de Bayeux relacionado à exposição inadequada de crianças nas redes sociais. O caso centraliza-se nos vídeos em que Hytalo Santos aborda temas como relacionamentos entre jovens, frequentemente envolvendo comportamentos sexualmente sugestivos.
Além disso, o MPPB e a Polícia Civil solicitaram à Loteria do Estado da Paraíba (Lotep) a suspensão das atividades comerciais de Hytalo Santos, devido ao uso irregular das imagens de menores em suas campanhas promocionais. Os órgãos alegam que a utilização dessas imagens infringe direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente e expõe os jovens a riscos psicológicos.
Sobre Hytalo Santos

Hytalo Santos, um influenciador nascido em Cajazeiras, na Paraíba, acumulava milhões de seguidores em suas plataformas digitais antes da remoção de sua conta no Instagram. Sua trajetória inclui a produção de conteúdos voltados para o público jovem desde 2020, onde frequentemente exibe situações controversas com menores.
A denúncia feita por Felca destaca especificamente o caso da jovem Kamyla Santos, que é retratada em conteúdos gerados por Hytalo desde sua adolescência. Felca argumenta que essa exposição pode influenciar negativamente não apenas Kamyla, mas também outros jovens espectadores.

As investigações continuam e o relatório final do MPPB está previsto para ser concluído em breve. O acompanhamento deste caso se torna essencial para garantir a proteção dos direitos das crianças e adolescentes envolvidos e para discutir as implicações legais relacionadas à exposição indevida nas redes sociais.
Exploração sexual infantil
Os casos de abuso e exploração sexual infantojuvenil estão em alta no Brasil. De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos, as denúncias ao Disque 100 aumentaram 195% nos últimos quatro anos, saltando de 6.380 em 2020 para 18.826 em 2024.
A violência também se manifesta no mundo digital. A ONG Safernet registrou mais de 71 mil denúncias de abuso e exploração sexual infantil na internet em 2023, um aumento de 77% em relação ao ano anterior.
