MP investiga Hytalo Santos por exploração de menores em vídeos

Após a repercussão de vídeos de Felca, o influenciador é alvo de inquérito por suposta exploração de menores e uso indevido de suas imagens em redes sociais

Crédito: Reprodução/Instagram

O Ministério Público da Paraíba (MPPB) está conduzindo uma investigação sobre um possível esquema de exploração envolvendo menores de idade em vídeos produzidos pelo influenciador digital Hytalo Santos. A apuração começou após denúncias que sugerem que o influenciador estaria oferecendo benefícios financeiros e materiais a familiares de adolescentes em troca da emancipação dos jovens que participam de seus conteúdos.

De acordo com informações reveladas pelo promotor João Arlindo Côrrea, os pagamentos incluem aluguéis, mensalidades escolares e até dispositivos eletrônicos, como celulares. O caso ganhou notoriedade após o Felca fazer uma denúncia pública sobre a suposta exploração, resultando na exclusão da conta de Hytalo Santos no Instagram.

“A investigação busca entender se existiria uma troca entre esses benefícios e a emancipação dos adolescentes para que eles pudessem participar dos vídeos”, explicou Côrrea. Apesar de não haver evidências diretas ligando os presentes à emancipação, relatos indicam que Hytalo teria custeado despesas significativas para as famílias envolvidas.

De acordo com o G1, cerca de 17 adolescentes estão sob investigação por suas aparições em conteúdos que incluem danças e situações com conotação sexual. Muitos destes jovens já obtiveram a emancipação antes de serem filmados, o que levanta questões sobre a responsabilidade dos pais na supervisão e proteção dos filhos.

O MPPB também está analisando o papel dos responsáveis legais, que podem ser considerados omissos ao permitir a exposição de seus filhos a esse tipo de conteúdo. Caso as acusações sejam confirmadas, as consequências podem ser severas, incluindo responsabilização legal por danos causados aos menores.

Simultaneamente, o MP investiga outro inquérito na cidade de Bayeux relacionado à exposição inadequada de crianças nas redes sociais. O caso centraliza-se nos vídeos em que Hytalo Santos aborda temas como relacionamentos entre jovens, frequentemente envolvendo comportamentos sexualmente sugestivos.

Além disso, o MPPB e a Polícia Civil solicitaram à Loteria do Estado da Paraíba (Lotep) a suspensão das atividades comerciais de Hytalo Santos, devido ao uso irregular das imagens de menores em suas campanhas promocionais. Os órgãos alegam que a utilização dessas imagens infringe direitos previstos no Estatuto da Criança e do Adolescente e expõe os jovens a riscos psicológicos.

Sobre Hytalo Santos

Reprodução – Instagram

Hytalo Santos, um influenciador nascido em Cajazeiras, na Paraíba, acumulava milhões de seguidores em suas plataformas digitais antes da remoção de sua conta no Instagram. Sua trajetória inclui a produção de conteúdos voltados para o público jovem desde 2020, onde frequentemente exibe situações controversas com menores.

A denúncia feita por Felca destaca especificamente o caso da jovem Kamyla Santos, que é retratada em conteúdos gerados por Hytalo desde sua adolescência. Felca argumenta que essa exposição pode influenciar negativamente não apenas Kamyla, mas também outros jovens espectadores.

Kamylinha e Hytalo Santos – Reprodução/Instagram

As investigações continuam e o relatório final do MPPB está previsto para ser concluído em breve. O acompanhamento deste caso se torna essencial para garantir a proteção dos direitos das crianças e adolescentes envolvidos e para discutir as implicações legais relacionadas à exposição indevida nas redes sociais.

Exploração sexual infantil 

Os casos de abuso e exploração sexual infantojuvenil estão em alta no Brasil. De acordo com o Ministério dos Direitos Humanos, as denúncias ao Disque 100 aumentaram 195% nos últimos quatro anos, saltando de 6.380 em 2020 para 18.826 em 2024.

A violência também se manifesta no mundo digital. A ONG Safernet registrou mais de 71 mil denúncias de abuso e exploração sexual infantil na internet em 2023, um aumento de 77% em relação ao ano anterior.

Violência
Marcello Casal Jr/Agência Brasil – Exploração sexual infantil 
  • Publicado: 13/02/2026
  • Alterado: 13/02/2026
  • Autor: 13/08/2025
  • Fonte: Sorria!,