Hugo Motta reúne-se com Gleisi e líder do governo
Crise nas relações entre Hugo Motta e o governo federal se intensifica após ausência em cerimônia crucial
- Publicado: 11/02/2026
- Alterado: 27/11/2025
- Autor: Daniela Penatti
- Fonte: Itaú Cultural
O cenário político em Brasília revela um notável acirramento na relação entre o Poder Executivo e o Legislativo, tendo o presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), como figura central da discórdia. O crescente descontentamento de Hugo Motta com o governo federal foi simbolizado por sua ausência em um dos eventos mais importantes da semana: a cerimônia de sanção da nova faixa de isenção do Imposto de Renda (para rendimentos de até R$ 5.000), realizada na quarta-feira (26).
Apesar do desfalque na solenidade oficial, o dia não foi de total reclusão. Na mesma quarta-feira, Motta participou de um encontro de alto escalão com o ministro das Relações Institucionais, Alexandre Padilha, e o líder do governo na Câmara, José Guimarães (PT-CE). A reunião, convocada pelo governo em um momento de tensão crítica entre as lideranças do Congresso Nacional e o Palácio do Planalto, tinha como objetivo a difícil tarefa de aparar as arestas e tentar realinhar a base governista.
O PL Antifacção e a ruptura institucional
O principal catalisador desse desgaste tem sido a polêmica em torno do Projeto de Lei Antifacção. A tramitação da proposta na Casa, vista como prioridade do Legislativo, gerou um confronto direto com a agenda do governo.
A irritação do presidente da Câmara atingiu o ponto máximo após críticas públicas proferidas pelo líder José Guimarães. O deputado petista não hesitou em alegar que o texto aprovado pela Câmara poderia comprometer a atuação da Polícia Federal. Além disso, a escolha de Guilherme Derrite (PP-SP), deputado licenciado e Secretário de Segurança Pública de São Paulo, para relatar o projeto foi categoricamente classificada por Guimarães como uma “traição” por parte do comando da Câmara. Tais declarações foram interpretadas pelo Republicanos-PB como um ataque direto à sua autoridade e à autonomia do parlamento.
Fim da parceria com a liderança do PT
Em um movimento que solidifica o distanciamento, Hugo Motta confirmou em declarações à CNN que encerrou a parceria institucional com Lindbergh Farias (PT-RJ), o líder da Bancada do PT na Câmara. Esse rompimento formal acentua a crise e remove uma importante ponte de diálogo que antes existia entre a Mesa Diretora e o partido do presidente.
- Ausência Programada: A falta de Hugo Motta no evento de sanção da isenção do IR foi um recado claro, uma demonstração de força política e de insatisfação com a condução das relações institucionais.
- Confronto Público: As críticas de Guimarães ao PL Antifacção e à relatoria de Derrite expuseram a fratura na base e a dificuldade do governo em manter a coesão no Congresso.
- Rompimento Estratégico: O fim da parceria com a liderança do PT na Câmara, sob o comando de Hugo Motta, é um sinal de que o presidente da Casa está disposto a atuar de forma mais independente e potencialmente mais opositora.
O impacto da crise para Hugo Motta e o Legislativo
O atual cenário de descontentamento e as divergências ideológicas e políticas podem impactar significativamente a dinâmica legislativa nos próximos dias. A instabilidade nas relações entre os Poderes Executivo e Legislativo representa um risco para a aprovação de matérias de interesse do Planalto.
A postura firme de Hugo Motta demonstra que o comando da Câmara não aceitará interferências ou críticas desmedidas em sua prerrogativa de pautar e conduzir projetos. A crise se aprofunda, forçando o governo a reavaliar sua estratégia de articulação política para evitar que pautas cruciais sejam barradas ou sofram desfigurações em resposta a esse novo e evidente mal-estar. A capacidade de governar, neste momento, depende diretamente da habilidade do Planalto em reconstruir a confiança e o diálogo com Hugo Motta e as demais lideranças do Congresso.