Hugo Motta se reaproxima de Lindbergh de olho em apoio do PT
Após meses de embates públicos sobre pautas ideológicas e cassações, Hugo Motta afirma que o "jogo está zerado" para garantir governabilidade em 2026
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 20/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
As engrenagens da política em Brasília voltaram a girar em busca de consenso antes do recesso parlamentar. Em um movimento estratégico de pacificação, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e o líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), protagonizaram uma reaproximação significativa nesta sexta-feira (19). O encontro, ocorrido na residência oficial da presidência, sinaliza uma trégua após um semestre marcado por trocas de acusações e rompimentos públicos.
“Para mim, o jogo está zerado”, declarou Hugo Motta à Folha, indicando que as desavenças sobre a condução da Casa e o mérito de projetos polêmicos ficaram para trás. O gesto é visto como fundamental para que o governo mantenha uma base de diálogo sólida no próximo ano legislativo, especialmente após as recentes mudanças na composição do plenário com a cassação de nomes influentes da oposição.
3 projetos que estremeceram a relação no Congresso
A crise entre os dois parlamentares não foi apenas de estilo, mas de substância. Três frentes principais de conflito desgastaram a relação ao longo de novembro:
- Projeto Antifacção: Hugo Motta escolheu o deputado Guilherme Derrite (PP-SP), aliado de Tarcísio de Freitas, para relatar a principal resposta do governo à segurança pública, o que foi lido pelo PT como uma afronta à gestão Lula.
- PL da Dosimetria: A decisão de pautar a redução das penas para os condenados pelos atos golpistas gerou protestos inflamados de Lindbergh, que chegou a sugerir que o presidente da Câmara poderia responder por crime de responsabilidade.
- Cassação de Glauber Braga: A condução do processo que resultou na suspensão do deputado do PSOL também foi um ponto de fricção entre o bloco progressista e a cúpula da Casa.
O papel de Hugo Motta na mediação política
Apesar das farpas trocadas nas redes sociais — onde Hugo Motta chegou a afirmar que precisava “proteger a democracia do grito” —, o tom agora é de pragmatismo. O presidente da Câmara ressaltou que as divergências eram de mérito e não pessoais, reafirmando seu “enorme respeito pela bancada do PT”.
A estratégia de Hugo Motta visa estabilizar sua liderança frente a um Congresso ainda polarizado. Ao selar a paz com Lindbergh, que é casado com a ministra Gleisi Hoffmann (SRI) e possui forte influência nas redes sociais, Motta garante um canal aberto com o Palácio do Planalto em um momento em que a sucessão e as pautas econômicas exigem previsibilidade.
Expectativas para a legislatura de 2026
Lindbergh Farias, que deixará a liderança da bancada em 2 de fevereiro para a entrada de Pedro Uczai (RS), demonstrou otimismo com a nova fase. “Nunca tive problemas pessoais com o Hugo. Acho que a relação no próximo ano será muito melhor”, afirmou. O pacto de diálogo inclui até um possível encontro informal entre as famílias na Paraíba, reduto eleitoral de Hugo Motta, durante as festas de fim de ano.
Para analistas políticos, a movimentação de Hugo Motta demonstra sua habilidade em transitar entre blocos antagônicos. Ao “zerar o jogo” com a esquerda, o presidente da Câmara se fortalece para arbitrar as pautas de 2026, equilibrando os interesses da oposição bolsonarista com as necessidades de aprovação do governo federal.