Hugo Motta cancela encontro com jornalistas após agressões
Reunião para discutir a violência contra profissionais da imprensa na Câmara foi cancelada pelo presidente da Casa, Hugo Motta
- Publicado: 20/01/2026
- Alterado: 10/12/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Multiplan MorumbiShopping
O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, cancelou de forma abrupta um encontro crucial que havia sido agendado com jornalistas para esta quarta-feira, dia 10 de dezembro. A reunião tinha como pauta central as agressões sofridas por profissionais da imprensa durante um incidente ocorrido na noite anterior, envolvendo o deputado Glauber Braga (PSOL), que foi retirado à força da Mesa do plenário.
O episódio causou forte constrangimento e levantou preocupações sobre a liberdade e segurança da imprensa no Congresso Nacional.
Hugo Motta havia se comprometido a conversar com jornalistas

Inicialmente, Motta havia se comprometido a receber os cinco jornalistas diretamente afetados pelo incidente. Após intensa pressão da categoria, o presidente concordou em ampliar o diálogo, aceitando se reunir com um grupo maior, totalizando 12 profissionais. No entanto, o que se seguiu foi um ato de desconsideração: os jornalistas chegaram ao local marcado e foram surpreendidos com a notícia de que Hugo Motta não compareceria.
O protocolo de segurança e a ordem de evacuação
Em lugar do presidente, a assessora de imprensa Mônica Donato recebeu o grupo. Durante o encontro com os profissionais, Donato confirmou que o protocolo de segurança implementado durante o incidente resultou na evacuação da imprensa do plenário. A decisão de afastar os repórteres e fotógrafos do local dos fatos foi, segundo a assessoria, uma ordem direta atribuída ao próprio Hugo Motta.
A assessora informou que uma nova data para o reagendamento da reunião será definida, mas a ausência do presidente da Casa no compromisso já estabelecido gerou profundo mal-estar e frustração na categoria.
Fenaj Denuncia “Atentado à Liberdade de Imprensa”
A presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro, manifestou grande preocupação com o ocorrido, classificando o episódio como um ato grave contra a liberdade de imprensa.
Samira de Castro destacou a seriedade não apenas das agressões físicas e verbais sofridas pelos profissionais, mas também o preocupante ato de desligamento do sinal da TV Câmara justamente no momento em que os incidentes estavam ocorrendo. “Foi um atentado à própria liberdade de imprensa”, afirmou a presidente da Fenaj, sublinhando a tentativa de cercear a transparência dos fatos.
A entidade sindical enfatizou que, além da apuração das agressões, busca estabelecer um diálogo sobre os procedimentos institucionais necessários para assegurar condições adequadas de trabalho para os jornalistas que cobrem as atividades do Congresso Nacional.
“Queremos promover discussões que garantam um ambiente de trabalho mais respeitoso e transparente para os profissionais da mídia. É imperativo que a Casa garanta a segurança e a livre atuação da imprensa, evitando que ordens como a de evacuação, atribuída a Hugo Motta, se repitam”, concluiu Samira de Castro.
A gestão do presidente Hugo Motta sobre o caso, marcada pelo cancelamento da reunião e pela justificativa da assessoria, intensifica o debate sobre o respeito e a proteção aos jornalistas no ambiente legislativo, essencial para a saúde democrática do país.