Hospital do futuro: O Robô é quem faz a cirurgia?
Cirurgias com robôs são menos agressivas aos pacientes, mas são os médicos que manipulam o Robô
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 22/08/2023
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Inicialmente desenvolvidos nos Estados Unidos com a finalidade de realizar cirurgias à distância nos soldados americanos, os robôs cirúrgicos mostraram um aprimoramento do que era a videocirurgia, apresentando uma série de vantagens. Assim, foram introduzidos na medicina cotidiana. Já muito frequentes internacionalmente, as cirurgias com robôs começam a crescer no cenário nacional. Em 2008, o Brasil contava com apenas um robô cirúrgico; atualmente, o número aumentou para sete e estima-se que, nos próximos dois anos, esse volume cresça ainda mais.
Dr. Ricardo Mingarini Terra, coordenador de cirurgia torácica do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo e presidente do departamento de Cirurgia Torácica da Sociedade Paulista de Pneumologia e Tisiologia (SPPT), é um dos médicos no Brasil que está no início desta tecnologia. Ele conta que os pacientes ficam muito curiosos com a possibilidade de fazerem uma cirurgia robótica. “Eles acham que é um ‘robô humano’ que vai operá-los.”
Na verdade, os chamados robôs são máquinas que reproduzem os movimentos que o cirurgião faz em um console. Ou seja, diferente do que se pode imaginar, a máquina não faz nada sozinha.
Durante a cirurgia, em vez de ficar dentro do campo cirúrgico, o cirurgião fica ao lado mexendo em um joystick. No campo operatório, fica outro cirurgião, que tem a função de auxiliar alguns movimentos como, por exemplo, a troca de pinças do robô, além de dar auxílio caso ocorram eventuais problemas. Segundo Dr. Terra, problemas durante o procedimento são raros, mas a presença do cirurgião no campo cirúrgico é importante por uma questão de segurança.
O cirurgião também relatou que esse tipo de cirurgia é mais confortável para o paciente quando comparada à cirurgia aberta, pois dispensa a abertura do tórax, o que leva a menor agressão e menos dor. Outra vantagem é que o robô tem mecanismos que permitem maior amplitude de movimentos, além de filtrar os movimentos do cirurgião e deixá-los mais precisos e delicados. No caso da cirurgia torácica, o cirurgião manuseia o console que reproduz os movimentos nas mãos do robô dentro do tórax.
“Ao invés de fazer as incisões que antes fazíamos para a retirada de tumores dentro do tórax, com o robô, conseguimos utilizar pequenas incisões que não precisam do afastamento das costelas. Isso também pode ser feito por meio de toracoscopia, mas a precisão dos passos cirúrgicos é muito maior com o robô, pois ele filtra o tremor e permite uma maior mobilidade dos instrumentos dentro do tórax, além de proporcionar a visualização das estruturas com a câmera robótica, o que torna a cirurgia mais segura e mais precisa.”
Mesmo com essa precisão, o médico contou que os cirurgiões estão aguardando outra novidade nos próximos robôs cirúrgicos: a sensação tátil que será transferida através da “mão” do robô. Atualmente, o equipamento não passa essa sensação, mas a melhora do tato é algo que já está sendo desenvolvida e esperada com muita ansiedade pelos médicos.
É importante ressaltar que a grande vantagem da cirurgia robótica é o fato de ser uma cirurgia minimamente invasiva, ou seja, ela provoca uma menor agressão ao paciente, pois evita abertura da parede do tórax e o afastamento das costelas. Por outro lado, sua grande desvantagem é o custo elevado, visto que cada equipamento custa cerca de 2,5 milhões de reais, fazendo com que a cirurgia possa chegar a mais de R$ 20 mil. Dentro da realidade brasileira, esse é um ponto importante. Ainda assim, Dr. Terra ressaltou que a cirurgia minimamente invasiva representa uma evolução clínica muito grande e, sempre que possível, recomenda esta opção ao invés de uma cirurgia convencional devido às suas vantagens.
“Ainda hoje, no Brasil, é temerário dizer que a cirurgia robótica veio para substituir a cirurgia minimamente invasiva feita por meio de toracoscopia, pois não temos resultados de estudos comparativos. A tecnologia é, no entanto, uma evolução que já chegou ao país e que, provavelmente, trará a comprovação de vantagens ao longo do tempo. Vários médicos fizeram treinamento para manusear robôs cirúrgicos, mas ainda não são muitos que estão fazendo a cirurgia robótica de rotina. O começo é sempre assim, mas depois a estrutura vai se organizando, a cultura vai mudando e com isso os procedimentos vão aumentando em número.”
ONDE
Cirurgias com robôs são adotadas no Instituto Nacional de Câncer (Inca), Pró-Cardíaco e Hospital Samaritano no Rio de Janeiro, Hospital Alemão Oswaldo Cruz, Hospital Israelita Albert Einstein, Hospital Sírio e Libanês, ICESP – Instituto de Câncer do Estado de São Paulo e no Hospital 9 de Julho, todos em São Paulo