Hospital das Clínicas terá primeiro hospital inteligente do Brasil
Hospital Inteligente reunirá 800 leitos, inovação digital e sustentabilidade em parceria entre Ministério da Saúde, Governo de SP, USP e Banco dos BRICS
- Publicado: 13/02/2026
- Alterado: 04/09/2025
- Autor: Redação
- Fonte: Teatro Sérgio Cardoso
Foi assinado em São Paulo o termo de cooperação que dará início à implantação do primeiro hospital inteligente do Brasil, dentro do Complexo do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP. O projeto, batizado de Instituto Tecnológico de Medicina Inteligente (ITMI Brasil), nasce de uma parceria entre o Ministério da Saúde, o Governo do Estado de São Paulo, a Universidade de São Paulo e o Novo Banco de Desenvolvimento (NDB), ligado aos BRICS.
Segundo o documento, a estrutura do hospital inteligente terá 800 leitos e foco em emergências de alta complexidade, como acidentes vasculares cerebrais (AVC), infartos e traumas. Além do atendimento, o hospital será também um centro de pesquisa, inovação e formação de profissionais de saúde, com uso de inteligência artificial, telemedicina e integração nacional de UTIs inteligentes em tempo real.
“Mudança no atendimento de alta complexidade”
A professora titular de Emergências da Faculdade de Medicina da USP, Ludhmila Hajjar, destacou a relevância do projeto do hospital inteligente para o Sistema Único de Saúde. “Nós celebramos hoje uma mudança no atendimento de alta complexidade do nosso país, do nosso sistema único de saúde, que representa muito mais do que um único centro de inovação. Representa o atendimento humanizado na sua essência, um hospital inteligente, sustentável, digital, focado e centrado no paciente”.
Ela relembrou que a proposta surgiu de discussões iniciadas há cerca de um ano e meio, com apoio da então presidente do NDB, Dilma Rousseff. “No Estado de São Paulo, nós temos uma solicitação diária do nosso sistema de regulação, só para o Hospital das Clínicas, de em torno de 400 solicitações. E nós conseguimos atender em torno de 20 ou 30. A mediana de tempo entre um paciente de alta complexidade chegar numa unidade básica e ter a sua vaga regulada no nosso Estado é quase de 17 horas. Isso inviabiliza tudo o que nós buscamos”, explicou.
Estrutura e funcionamento
O Conselho Deliberativo do Hospital das Clínicas aprovou o projeto e definiu três pontos principais: a integração do novo hospital inteligente à estrutura do HC, a responsabilidade de gestão pelo próprio complexo e a garantia de custeio pelo Governo de São Paulo.
“O Instituto Tecnológico de Medicina e Inteligência terá 800 leitos e será a referência em emergências críticas, reduzindo de forma significativa o tempo diagnóstico e tratamento de condições graves. Além da assistência, será também um centro de inovação, pesquisa e formação de profissionais, contribuindo para preparar o SUS para a Era Digital”, afirmou o professor Paulo Pêgo, representante do Conselho Deliberativo.
Financiamento e prazo de execução
O investimento estimado para o hospital inteligente é de R$ 1,7 bilhão, com financiamento do NDB e recursos do Ministério da Saúde. Segundo o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, o projeto já está previsto no orçamento da União.
“Estamos encerrando hoje uma etapa importante, que é a visita técnica do Banco dos BRICS, para análise do projeto. Se aprovado, o financiamento permitirá iniciar as obras ainda este ano, com previsão de três anos para a construção completa”, disse Padilha.
Ele também confirmou que antes da conclusão da obra principal será implantada uma rede inicial de 10 UTIs inteligentes em capitais brasileiras, como Belém, Teresina, Fortaleza, Salvador, Recife, Belo Horizonte, Brasília, Porto Alegre e Rio de Janeiro.
Cooperação internacional e transferência de tecnologia
O ministro enfatizou que a iniciativa da construção também busca fortalecer a indústria nacional da saúde. “Um dos eixos estratégicos desse projeto é o fortalecimento da capacidade de produção aqui no Brasil dessas novas tecnologias, fazendo parcerias com os BRICS, em especial China e Índia, que têm avanços importantes em medicina inteligente”, destacou.
Segundo ele, a escolha da USP como sede tem ligação direta com a presença de startups e empresas do setor em São Paulo. “Esse projeto atrai empresas, tecnologias e estimula parcerias que vão resultar em novas soluções para o SUS”, acrescentou.
Impacto para o SUS e para a formação médica
Além de atender pacientes, o hospital terá papel estratégico na formação de profissionais. O reitor da USP, Carlos Gilberto Carlotti Júnior, lembrou que a integração com a universidade será decisiva. “A USP quer excelência, quer liderança, quer impacto social. Essa iniciativa está totalmente de acordo com a política da universidade e da reitoria”, afirmou.
Padilha reforçou que o instituto também servirá para elaborar diretrizes nacionais sobre o uso de tecnologias em saúde. “Estamos constituindo uma arquitetura nacional para acompanhar o desenvolvimento dessas tecnologias e definir normas para o SUS. Isso vai impactar desde a atenção primária até os serviços de emergência, além de ser parte importante da política de formação profissional dos nossos alunos”, explicou.
Rede conectada nacionalmente
Com a implantação das UTIs inteligentes, o projeto terá impacto imediato na rede de saúde do país. “Tudo que fizermos aqui tem potencial para ser referência nacional e internacional. Desde o começo já teremos sementes em 10 capitais, o que vai nos ajudar a compreender diferentes realidades epidemiológicas e construir redes em todo o país”, disse Padilha.
O ministro também destacou a possibilidade de acompanhamento remoto de procedimentos. “Hoje já acompanhamos cirurgias cardíacas pediátricas em Manaus, Recife e Fortaleza a partir de São Paulo. Essa conexão será muito potencializada com o hospital inteligente”, afirmou.
Próximos passos
De acordo com o Ministério da Saúde, a expectativa é que a decisão final do NDB sobre o financiamento ocorra ainda este ano. A construção deve durar três anos, enquanto a instalação das primeiras UTIs conectadas está prevista para os próximos meses, após a aprovação.
“O hospital será estruturado aqui, mas conectado nacionalmente. Vai mudar a forma de lidar com urgências e emergências no SUS”, resumiu Padilha.