Homens se unem pelo fim da violência contra a mulher
Fórum Permanente de Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher de São Bernardo criado no último dia 29 de abril une representantes da sociedade civil e do poder público em São Bernardo
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 09/05/2016
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Com apenas uma semana de fundação, o Fórum Permanente de Homens pelo Fim da Violência Contra a Mulher de São Bernardo realizou seu primeiro ato oficial na noite desta sexta-feira (6), no Parque da Juventude, região central da cidade. O evento reuniu representantes da sociedade civil e do poder público, em ato de repúdio a essa modalidade de violência. A manicure Raimunda Elizabeth Alves de Lima, assassinada pelo marido no dia 25 de abril, no Jardim Thelma, foi uma das homenageadas.
O secretário-adjunto da Secretaria de Desenvolvimento Social e Cidadania (Sedesc) disse que “a Prefeitura sempre apoiou políticas de inclusão e igualdade entre homens e mulheres, e que o fórum recém-fundado é mais uma maneira de lutarmos por essa igualdade e fim da violência contra a mulher”.
No final do evento ainda foi realizada a leitura de uma carta de repúdio ao episódio do assassinato da manicure Raimunda pelo cônjuge, em São Bernardo, assim como a soltura de balões brancos para simbolizar a mensagem de paz que marca a criação do fórum.
O fórum, criado no último dia 29 de abril, é formado só por homens e a ideia é envolver poder público e sociedade civil – Associações Amigos de Bairro, Conselhos Tutelares, sindicatos, igrejas, escolas, empresas, órgãos de segurança (Guarda Civil e polícias Civil e Militar) e Ministério Público – na discussão de políticas públicas e no planejamento de ações de conscientização do público masculino, já que os atos de agressão não se concentram apenas no plano físico, mas também no verbal e psicológico.
Um dos representantes do fórum, também presente no evento, Antônio Carlos falou sobre a importância da conscientização da população quanto à igualdade. “O homem não é dono da mulher, mas queremos promover o respeito e a ideia de parceria, porque o homem e a mulher são parceiros. O fórum vem como uma proposta permanente de discussões e luta pela igualdade, a luta dos homens pela causa.”
ATENÇÃO À MULHER – A Prefeitura de São Bernardo desenvolve diversas políticas e ações voltadas à proteção da mulher, como o Centro de Referência e Apoio à Mulher Márcia Dangremon (que acolhe mulheres vítimas de violência), o projeto Mulheres da Paz, educação não sexista no currículo escolar de jovens e adultos, capacitação sobre igualdade entre mulheres e homens no Programa Saúde na Escola (PSE), e a campanha do Laço Branco, que também envolve apenas homens.
A campanha do Laço Branco surgiu em 1989, após mobilização de homens canadenses pelo fim da violência contra a mulher como resultado do massacre de 14 mulheres estudantes de Engenharia da Universidade de Montreal. Desde 2013, o município tem intensificado as ações por meio de campanhas, oficinas e seminários que abordam o tema.
A Administração também desenvolve políticas e ações afirmativas pela igualdade entre mulheres e homens, como as oficinas de masculinidade (capacitação sobre os diversos papéis desempenhados pelos homens na sociedade e na família).
Estudos apontam que as diversas formas de violência (física ou sexual) afetam um terço das mulheres em todo o mundo, segundo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas) de 2013, sendo que muitas destas agressões são feitas pelo parceiro.
Estima-se que entre 2001 e 2011 ocorreram no Brasil mais de 50 mil feminicídios, o que equivale a aproximadamente 5 mil mortes por ano. Acredita-se que grande parte desses óbitos decorre de violência doméstica e familiar contra a mulher, uma vez que cerca de um terço deles teve o domicílio como local de ocorrência.
No Brasil, em 7 de agosto de 2006 a violência doméstica e familiar contra a mulher foi criminalizada. A Lei 11.340 – batizada de Lei Maria da Penha Maia Fernandes, militante dos direitos das mulheres, que ficou paraplégica por conta das agressões sofridas pelo marido – é resultado de luta histórica do movimento feminista e das mulheres por uma legislação contra a impunidade.