Homens que veneram (e obedecem cegamente) as mães
Esta semana uma leitora pediu para falar sobre homens que mesmo depois de casados e com filhos, ainda se submetem aos desejos e ordens de suas mães, contrariando desejos da esposa e filhos
- Publicado: 29/01/2026
- Alterado: 02/05/2016
- Autor: Redação
- Fonte: FERVER
Muitas mulheres, enquanto namoravam ou mesmo depois que se casaram, se incomodam com a influência que suas sogras continuam exercendo sob seus maridos, fazendo com que eles contrariem os pedidos de sua nova família ou mesmo coloque suas necessidades de lado levando em consideração os conselhos, opiniões e palpites da mãe. Porém, antes de entrarmos no assunto, cabe ressaltar que este problema não se aplica somente aos homens. Eu mesmo conheço casos em que mulheres destruíram suas famílias estabelecidas há vários anos para ficarem ao lado das mães.
Feita esta ressalva, a relação dos homens com suas mães começa por volta dos três ou quatro anos de idade, quando a criança ingressa no Complexo de Édipo. É neste momento que o menino direciona sua forma de obtenção de afeto para outra pessoa que não ele mesmo e, como vocês podem imaginar, o primeiro Outro – como dizia Lacan – é a mãe.
Nesta fase tudo o que o menino quer é se sentir amado pela mãe e, para que isto aconteça, ele acaba por moldar suas neuroses de forma a fantasiar que está sendo amado por quem ele ama. Digamos, por exemplo, que a mãe de um garoto é uma mulher severa, que recrimina as atitudes da criança e que, como se não bastasse, aponta como errado tudo o que ele faz. Ela também costuma sempre dizer a ele o que é o correto a fazer. Para ser amada a criança acaba desenvolvendo uma fobia por tomar suas próprias decisões e termina sempre esperando que a mãe lhe diga o que fazer.
Quando se torna um adulto, esta criança move seu foco da mãe para uma namorada e mais tarde para uma esposa. Como ele ainda alimenta as neuroses infantis ele procurará mulheres que também lhe digam o que fazer, que o critiquem e diminuam sua autoestima e sua capacidade de tomar decisões. Quando este homem se casa com uma mulher que não complementa suas neuroses a tendência dele é a de continuar ligado à mãe, obtendo o prazer que a esposa não é capaz de fornecer.
Outro fator que pode condicionar esta demasiada “devoção” do homem e da mulher à mãe é a culpa. O menino e a menina, num determinado momento de sua infância podem ser repreendidos por uma atitude de uma maneira um pouco mais drástica que o normal ou, por algo que lhes tenha sido dito, passam a imaginar que foram responsáveis pela infelicidade da mãe. Filhos concebidos antes do casamento e que descobrem que seus pais se casaram por causa da gravidez tem uma forte tendência a se sentirem culpados e, neste caso, pela infelicidade tanto de pai quanto de mãe.
Adultos que ainda idolatram as mães e volto a lembrar, isso não é uma característica unicamente masculina, em alguns casos, podem não ter superado o Complexo de Édipo e ainda agem como se tivessem entre três e seis anos de idade, devotando e procurando o amor da mãe para que possam alimentar suas neuroses. Há casos, por exemplo, de mulheres e homens que não se casam e “ficam para tios e tias” como se diz por aí graças a isso. Eles continuam passando a vida ao lado da mãe ou do pai para receberem aquele amor que tanto desejavam na idade apropriada, mas que nunca receberam.
Falar sobre adultos que foram criados por este tipo de mãe é o foco deste artigo, mas não podemos esquecer também de falar um pouco sobre estas mães. O que leva alguém a ser tão enérgica, castradora e até mesmo disposta a rebaixar a autoestima dos filhos? O que ela deslocou de seus recalques para agir assim?
Se falarmos em uma mulher que, por exemplo, engravidou e se viu obrigada a casar, podemos dizer que ela, de forma inconsciente pune o filho por toda a frustração de viver em um casamento que pode não ser o que ela desejava. Se falarmos em uma mulher que viu sua rotina e seus sonhos de vida desmantelados pela maternidade, podemos dizer que este tipo de mãe também desconta nos filhos sua insatisfação. Há também aquelas que não foram amadas por seus pais e, da mesma forma não conseguem amar os filhos.